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Manifestação pró-Bolsonaro gera tumulto no Benfica

Os manifestantes a favor do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) tentaram entrar nos Centros de Humanidade da UFC e foram impedidos por estudantes

22:40 | 31/05/2016
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Com gritos em defesa do coronel Brilhante Ustra, chefe do DOI-CODI nos anos de ditadura militar, enaltecendo a Polícia Militar e a figura do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC), um grupo de cerca de 60 pessoas fizeram manifestação no bairro Benfica, na noite desta terça-feira, 31. Intitulada de Rolezinho do Bolsonaro, a caminhada com estudantes e não estudantes da Universidade Federal da Ceará (UFC), estava programada para entrar nos Centros de Humanidades (CH) da universidade, mas foi impedida por alunos. Em alguns pontos, a tensão entre os manifestantes chegou ao limite e aconteceram agressões.

Iniciada às 17h40, com concentração na avenida Carapinima, a manifestação carregava bandeiras do Brasil, de apoio à candidatura do deputado Bolsonaro à presidência, e cartazes contra o socialismo e o guerrilheiro argentino Che Guevara. “Não vai ter cuspe”, em referência ao deputado federal Jean Willys, “Não vai ter maconha”, e trechos do Hino Brasileiro eram algumas das palavras de ordem do grupo.

[SAIBAMAIS1] 

Para o estudante de Engenharia Metalúrgica Douglas Cruz, 19, o protesto defendia o direito à liberdade de expressão. “A UFC está controlada. Você não tem liberdade de expressão, não pode dizer o que pensa. Queremos que a reitoria tome alguma atitude em relação aos alunos que não permitem essa liberdade”, reivindica.

O protesto é o segundo desde que o estudante de Letras Jorge Fontenelle, 40, diz ter sido hostilizado e agredido dentro da universidade por usar blusa com estampa de Bolsonaro. “(Após o episódio), eu sofro um certo assédio moral (dentro da universidade). Em casos isolados, pessoas, sem olhar pra mim, me chamam de fascista, babaca, idiota”, conta o estudante que também é inspetor da Polícia Civil. Fontenelle diz que ainda aguarda por posicionamento da UFC. Ele afirma não ter organizado os “rolezinhos”, mas que acredita que houve a identificação de setores da sociedade e de estudantes da UFC.

“Não sou a favor das mentiras que proferem contra o Bolsonaro, como por exemplo que ele é homofóbico, que incita a violência, o estupro”, comenta.

Fontenelle pedia por uma manifestação pacífica e se manteve durante todo o tempo postura condizente com o que declarava, mas alguns manifestantes respondiam aos que se posicionavam contrários com gritos de “viado”. A repórter foi chamada de “sapatão”. O manifestante, ao perceber que se tratava de imprensa, pediu desculpas.

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Conflito 

Após terem sido recebidos com gritos de “fascistas” e tido a entrada em dois CHs barrada três vezes por estudantes, que estavam em maior número, os manifestantes seguiam para a avenida Treze de Maio quando o embate chegou em um dos pontos mais tensos. Minutos antes, o grupo de apoiadores do Bolsonaro pedia, em alto-falante, para que se mantivessem calmos e afirmava que a manifestação deveria ser pacífica.

A reportagem presenciou quando a estudante de Direito e militante do Levante Popular pela Juventude Monique de Jesus, 24, enquanto gritava contrária aos apoiadores do parlamentar, levou uma tapa.

“Nos posicionamos contrários ao movimento deles, com gritos e eles foram altamente agressivos, xingaram, eu levei um tapa na cara. Depois disso, o cara sumiu e ele quiseram me dizer que não foi um tapa”, descreve. O tumulto foi contido por manifestantes dos dois lados e pela polícia.

Para o estudante de Cinema e Audiovisual da UFC Gustavo Mineiro, 34, que estava entre os que se posicionaram contrários aos participantes do rolezinho, a manifestação não foi bem-vinda à UFC por se apresentarem de maneira “afrontosa, homofóbica e racista”.

“A universidade é uma espaço amplo de participação, que toda opinião tem o o direito de ser expressa, inclusive a opinião deles. Mas acredito que se eles querem se manifestar, deveriam marcar um debate, apresentar ideia, mas não vir de forma impositiva”, opinou.

Os dois grupos se mantiveram em cada uma dos lados do cruzamento das avenidas da Universidade e Treze de Maio. Quando a estudante de História Maira Gabryella, 17, tentou entregar um livro aos apoiadores do parlamentar, outro princípio de tumulto foi reprimido com gás de pimenta pela polícia. A manifestação acabou às 19h10, após o grupo cantar o Hino Nacional e se dispersar.

UFC

Procurada pela reportagem, a UFC afirmou que carta aberta à comunidade, publicada na última sexta-feira, 27, já abrangia aspectos dos posicionamentos em relação à liberdade de expressão dentro da universidade. "Porque defendemos a liberdade de expressão, também reconhecemos o inalienável respeito às posições religiosas, políticas, filosóficas e científicas, que precisam aprender a conviver na Universidade e na sociedade. Como instituição de educação superior, devemos protegê-las dos diferentes tipos de vandalismo e de todas as formas de intolerância e opressão. Não é eliminando o outro, o diferente, que resolveremos os conflitos. Por isso, devemos ser sempre muito cuidadosos na avaliação dos fatos, e jamais esquecer que os acontecimentos estão sempre inseridos em contextos e que fora deles podem ser deformados e deturpados.

A Universidade é um espaço de encontros, de disputas, de aprendizagem, de pesquisa, de produção de conhecimento e, por isso, é um grande laboratório de humanidades. Precisamos proteger esse ambiente tão indispensável para a sociedade, com coerência, bom senso, respeito ao outro, e estamos convictos de que, através do diálogo, produziremos os acordos necessários para a convivência pacífica", afirma a nota.

Redação O POVO Online 

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