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Alunos dizem que não se sentem representados por proposta do Governo

Ao todo, são 16 escolas ocupadas no Estado. Estudantes dizem que pretendem manter ocupações mesmo em caso de retorno das atividades dos professores

19:41 | 09/05/2016
Estudantes da Rede Pública Estadual afirmam que não pretendem suspender ocupações nas escolas, mesmo diante de proposta do Governador. Camilo Santana anunciou, nesta segunda-feira, 9, o repasse imediato de R$ 32 milhões para reformar os colégios estaduais e R$ 6,4 milhões para complementar a merenda escolar, que atualmente é financiada pelo Governo Federal através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). As medidas foram divulgadas após reunião de emergência na sede da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), no bairro Cambeba. 
 
Carlos Menezes, 16, é um dos estudantes que ocupa o Centro de Atenção Integrada à Criança e ao Adolescente (Caic) Maria Alves Carioca, no Bom Jardim. Ele afirmou que o montante anunciado pelo Governador não é suficiente para a reforma das escolas. “Só beneficia uma pequena parte, e nossa luta é pelo todo. O dinheiro anunciado para a compra da merenda escolar também não representa aumento significativo. A situação é tão crítica que isso pode custar muito mais”, afirmou. 
 
Outra crítica feita por Carlos, foi o lançamento da proposta sem diálogo com os alunos. A reunião contou com a participação do secretário da Educação do Estado, Idilvan Alencar, coordenadores da Seduc na capital e no interior, além de alguns professores. Apesar de filiados ao Sindicato dos Professores no Estado do Ceará - Apeoc, os educadores informaram que não estavam representando o sindicato da categoria.
 
“A gente vai continuar ocupando, queremos uma assembleia pública com o secretário da educação em uma das escolas ocupadas para que sejam discutidas e analisadas propostas e que sejam colocadas as pautas dos professores. A nossa luta é unificada e não nos sentimos representados”, diz Carlos.
 
O POVO visitou uma das três instituições ocupadas hoje pelos estudantes. Na Escola Padre Rocha, no bairro Joaquim Távora, há goteiras em quase todas as salas. Muitas das portas estão com maçanetas quebradas e estudantes e funcionários afirmam que cerca de uma semana antes de os professores entrarem em greve, a verba da merenda escolar foi completamente suspensa.
 
Suspensão de greve
 
Na última sexta-feira, o desembargador Durval Aires Filho, do Tribunal de Justiça do Ceará, determinou a suspensão da greve e o retorno das atividades nas escolas públicas do Ceará. Segundo texto, a greve seria ilegal e os professores devem retornar às atividades 72 horas após a notificação sob pena de multa de R$ 3 mil reais por dia de descumprimento.  
 
O Sindicato dos Servidores Públicos Lotados nas Secretarias de Educação e de Cultura do Estado do Ceará (Apeoc), o órgão afirma que ainda não foi notificado pela Justiça do Ceará a respeito da decisão e que pretende apresentar recurso. Já os estudantes dizem que não irão desocupar mesmo em caso de retorno das atividades. 
 
Redação O POVO Online 
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