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Moradores de Messejana denunciam abandono e mau cheiro no centro do bairro

Nesta sexta-feira, 8, o Núcleo de Fiscalização Integrada da Regional VI realizou uma fiscalização nas peixarias e abatedouros do bairro de Messejana; população reclama do despejo incorreto de água suja dos comércios

11:37 | 08/04/2016
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Quem passa pelo centro da Messejana, próximo à feira, pode sentir o mau cheiro do esgoto a céu aberto que corre pelas ruas do bairro, segundo informaram os moradores que residem no local há mais de 20 anos. O problema é causado pelo descarte de resíduos inadequado das peixarias e abatedouros de animais presentes no entorno, que jogam diariamente a água suja de peixe junto com escamas ou sangue dos animais abatidos em via pública. 

De acordo com uma moradora da rua Cesário Lange, que não quis se identificar, o problema é diário e incomoda todos os moradores. “Eu moro aqui há 22 anos e sempre teve esse problema e agora com mais intensidade por conta dos comércios. Eles (peixeiros e abatedores) jogam água suja com vísceras e esquemas de peixes, sangue de porco e galinha na rua sem nenhuma preocupação”, relata. 
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Segundo a moradora, as pessoas do bairro se preocupam com o destino de seus detritos, enquanto os comerciantes não possuem a mesma preocupação. “Sentimos prejudicados nesse sentido, os nossos detritos são tratados e os deles não. A prefeitura sabe da situação e não faz nada’’, reclama. 

O professor de português da Escola Municipal Angelica Gurgel, localizado ao lado dos comércios de peixes, Gisonaldo Granjeiro, afirmou que a situação atrapalha todo o funcionamento da escola desde ao mau cheiro até os caminhões e carros estacionados irregularmente.“Esse mau cheiro é absurdo. Por trás da escola, você encontra o chão tomado por escamas de peixes por conta da feira. A gente percebe a omissão do poder público”, conta. 

A vice-diretora da escola municipal, Silvia Lemos, disse ao O POVO Online que professores e alunos reclamam constantemente da situação, mas esse problema não é de responsabilidade da instituição. “Essa questão não podemos atuar e mudar. Professores e alunos reclamam, mas a direção não pode resolver o problema. Não é de sua responsabilidade”, frisou. Silvia conta que a escola já teve um diálogo com os comerciantes para tentar amenizar o mau cheiro. 
 
Outra questão também são os sacos de lixos colocados indevidamente na calça da escola com os restos de peixes. ‘’Lixo da escola é colocado à noite, quando o carro do lixo passa. Então, aquele lixo não nos pertence. Eu já reclamei sobre isso, pois quando colocam o mau cheiro infesta ainda mais a instituição”, afirma a vice-diretora. Além disso, segundo informações da direção, há uma  possibilidade da escola municipal Angelica Gurgel ser transferida de local já que o seu entorno é rodeada por comércios. Mas, até o momento, não há nada definido.

Na manhã desta sexta-feira, 8, a Regional VI, por meio do Núcleo de Fiscalização Integrada, realizou uma fiscalização, advertindo os comércios pela falta de um local para que a água seja despejada corretamente, do Alvará da Vigilância Sanitária, por não atender os requisitos exigidos pela vigilância, e por obstrução de passeios. 
 
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Segundo a fiscal do Núcleo de Fiscalização Integrada da Regional VI, Aurilene Lopes, o maior problema existente entre os comerciantes do bairro é a falta de conscientização do espaço público. ”Se tivessem educação, Messejana funcionaria de uma forma melhor. Se as pessoas respeitassem o espaço público do pedestre, que não respeitam. Nós não podemos todos os dias estar aqui para fazer a mesma coisa porque temos muitos processos a fazer. Você volta amanhã vai estar tudo do mesmo jeito”, ressalta a fiscal, apresentando outras irregularidades cometidas pelos comércios.

Fernando Rodrigues, proprietário de uma peixaria, alega que a falta de saneamento básico contribui para o despejo incorreto da água suja. ”Eu tenho o meu consumidoro (saneamento privado) e todo mês vem um desentupidor para retirar a água suja do consumidoro. Mas água que utilizo para lavar a calçada, infelizmente, corre rua”, explica Fernando. Já em relação a obstrução dos passeios, o comerciante alega que, em seu comércio, só acontece nos momentos de descargamento de mercadoria por um curto período.


Fiscalização 
Os Núcleos de Fiscalização Integrada das regionais não possuem fiscalizações periódicas. As atuações só são feitas por meio de denúncias de diversas irregularidades. O núcleo averigua as informações e aplica uma medida de advertência, notificando o comércio sobre a regularidade, que pode ser multada no valor de R$ 70 a R$ 180, caso não normalize a situação no período de 30 dias. As denúncias poderão ser feitas pelo 3488-3110 do Núcleo de Serviços Urbanos da Regional VI ou pela ouvidora no 3488-3124.
 
Segundo as informações da Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis), 25 comércios foram autuados por irregularidade na destinação do seus dejetos dos 39 comércios identificados como grandes geradores de lixo, aqueles que produzem cerca de 100 litros de resíduos sólidos por dia, na grande Messejana. A fiscalização ocorreu entre os meses de maio a junho de 2015. Além disso, foram realizados ações de conscientização com os comerciantes acerca do destino adequado dos seus resíduos sólidos.

Caso as empresas não estejam dentro das regulamentações exigidas pelo órgão, serão multadas no valor de R$ 771,10 a R$ 3.850, podendo ser agravada em até cinco vezes o valor. Junto com a multa, medidas administrativas são adotadas, como o embargo, interdição ou fechamento administrativo. 

As denúncias também podem ser feitas pelo número 156 e pelo aplicativo “Central 156” da prefeitura de Fortaleza, em que outras demandas são atendidas, como a iluminação pública.
 
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