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Suspeito de articular latrocínio de juiz fugiu de centro educacional há sete dias

O jovem é procurado pela Polícia. Já o suspeito apreendido na terça-feira, 9, havia sido liberado há um mês após excedido o prazo do julgamento

19:26 | 09/03/2016
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O suposto articulador do latrocínio (roubo seguido de morte) do juiz aposentado Edvalson Florêncio Marques Batista, 77, está foragido há sete dias após fuga do Centro Educacional Dom Bosco. As informações foram repassadas pelo juiz titular da 5ª Vara da Infância e da Juventude de Fortaleza, Manoel Clístenes de Façanha Gonçalves. O magistrado foi morto na última terça-feira, 8, no Cocó. Depois da apreensão de um adolescente de 16 anos, a Polícia segue a procura dos outros dois suspeitos. 

 

"Pelo depoimento do que foi apreendido, tudo indica que a arma utilizada no crime é dele e foi ele quem articulou. Ele responde há mais de 10 processos e tem um perfil de periculosidade muito complicado. Ele está com a gente (Vara da Infância e Juventude) há muito tempo e não foi liberado pela Justiça. Ele fugiu com mais três ou quatro do Dom Bosco, na semana passada", relata o magistrado. 
[SAIBAMAIS1]
Conforme Clístenes Gonçalves, essa seria a segunda fuga do jovem, que é envolvido em rebeliões. "Ele não estava preparado para conviver em sociedade. A prova é isso (latrocínio) que aconteceu seis dias depois de ter fugido", lamenta.

O segundo suspeito procurado pela Polícia possui dois processos e estava com uma medida cautelar em aberta. Segundo o juiz titular da 5ª Vara, ele iria começar a cumprir uma medida socioeducativa, mas se envolveu no latrocínio do juiz e, provavelmente, deve pegar uma medida de internação.

Jovem apreendido

 O jovem de 16 anos apreendido na última terça-feira, 8, e suspeito do crime esteve internado, mas foi colocado de volta às ruas no mês passado. O POVO apurou que o jovem foi liberado há um mês, pois o prazo de 45 dias, que é previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para julgamento, foi excedido e as partes ( defesa e Ministério Público) apresentaram memoriais, que é um resumo do processo, em uma das Varas do fórum Clóvis Beviláqua. Não foi especificado o ato infracional em que ele teve envolvimento.

O POVO entrou em contato com o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE) em busca de obter mais informações sobre o processo. Por meio de nota, o TJCE informou que sem o número do processo é impossível ter acesso ao juiz responsável pela liberação.

 

Depoimento

Na tarde desta quarta-feira, 9, o adolescente foi ouvido pelo juiz auxiliar Raimundo Lucena Neto, que decretou a internação provisória. Conforme o magistrado Clístenes Gonçalves, se o prazo de 45 dias para o julgamento não for cumprido, ele pode ser liberado novamente.

"Ele será encaminhado hoje (9) para um centro educacional. Se ele for julgado a internação é de seis meses a três anos. Como ele não tem nenhuma medida, se não for julgado em 45 dias será liberado", explicou.

O adolescente apreendido que foi ouvido, nega ter sido o autor dos disparos. Conforme o juiz, no depoimento o jovem afirma que a função dele era dirigir o carro que ia ser roubado. "Eles planejavam roubar o Corolla do cidadão. Parece que tinham visto o carro e queriam a chave do veículo", comenta.

Polícia

De acordo com o major Hideraldo Bellini, os três suspeitos são da comunidade do 'Pau fininho'. "Um deles disse para mim que entrou no mundo do crime com 12 anos. Se diz usuário de maconha e cocaína, mas tem o perfil de usuário de crack", relata.

De acordo com Bellini, a mãe do adolescente diz que ele aconselhou muito em relação as amizades, mas que perdeu o controle acerca do filho, que é criado sem o pai. O comandante diz que o rapaz é conhecido da Polícia e que tem o costume de roubar a pé ou de bicicleta na Cidade 2000.

Na ação foram roubados o cordão da esposa do magistrado e uma chave. O outro suspeito foi roubar o celular da vítima, mas houve reação. A arma utilizada não foi encontrada.

O comandante explica que o assaltante atirou na perna, mas atingiu a veia femoral, que possui a função de fazer com que o sangue dos pés chegue até o coração. O juiz morreu no local. O major afirma que já foram identificados os três suspeitos, que as casas foram "estouradas" e buscam denúncias acerca do paradeiro dos adolescentes.

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