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Programa investigará preservação do tatu-bola e da Caatinga

O Programa de Conservação do Tatu-Bola, que será lançado nesta quarta - em Fortaleza - pela Associação Caatinga e Fundação Boticário, pesquisará saídas para a recuperação de habitats no bioma Caatinga

20:35 | 01/03/2016
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A quase extinção do tatu-bola (Tolypeute-<br>stricinctus) no bioma Caatinga e no Cerrado juntou num mesmo projeto a Associação Caatinga e a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. Hoje, em Fortaleza, as duas instituições lançam, no auditório da Fiec, o Programa de Conservação do Tatu-Bola.Uma tentativa de evitar o desaparecimento da espécie que consta nas listas vermelhas de espécies ameaçadas da fauna brasileira (ICMBio) e no relatório da International Union for Conservation of Nature (IUCN). O status atual dele é “em perigo (EM)”, o que representa apenas duas categorias antes da extinção.

O tatu-bola é um animal da fauna brasileira que, acuado, enrola-se na própria carapaça e se transforma em uma esfera semelhante às antigas bolas de couro. Mas se entrincheirar no próprio corpo, um instinto de proteção, deixou de ser eficiente para escapar de perigos gerados pela ação humana. No Ceará, segundo o biólogo Rodrigo Castro, coordenador da Associação Caatinga, o bicho quase desapareceu devido à caça e ao desmatamento. “Ainda é possível encontrar o animal no sul do Estado”, afirma o pesquisador.

O Piauí, esquadrinha Rodrigo Castro, concentra atualmente as maiores áreas de ocorrência do menor dos tatus existentes na Terra. Inicialmente, o programa focará ações no território piauiense. Lugares próximos dos limites com o Ceará. A Serra das Almas, por exemplo, que está localizada no município cearense de Crateús (Inhamuns), é um dos lugares da pesquisa.

Lá, a Associação Caatinga está mapeando a ocorrência da espécie. “Na região, principalmente, do lado do Piauí, os relatos da existência dele ainda são bastante frequentes”, descreve Castro. O tatu-bola também vive na Bahia e com menos frequência nos outros estados do Nordeste.
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MUDANÇAS CLIMÁTICAS
De acordo com Rodrigo Castro, o programa deverá implementar ações prioritárias que estão previstas no Plano de Ação Nacional para a Conservação do Tatu-bola (PAN Tatu-bola, 2014) – uma política pública do governo brasileiro para a conservação da espécie.

A primeira fase terá duração de quatro anos. Inicialmente, será feito o levantamento da ocorrência do animal com a priorização de áreas para a conservação da espécie. Em seguida, serão feitos estudos para a criação de unidades de conservação para proteger o habitat. E também estão programadas ações de comunicação para tornar o bicho e o projeto mais conhecidos. “A ideia é mobilizar a sociedade para aderir à campanha ‘Eu protejo o tatu-bola’”, projeta o biólogo da Associação Caatinga.

A extinção do tatu-bola, alerta Rodrigo Castro, está diretamente ligada ao desaparecimento do habitat do animal: a Caatinga. Com a destruição do bioma, “estamos contribuindo pra aceleração da desertificação no Semiárido. Para o aquecimento global - com a liberação do carbono estocado na mata e para a insegurança hídrica com a destruição de nascentes”. O biólogo lembra que a segurança hídrica das cidades do Ceará, inclusive Fortaleza, depende essencialmente de rios que nascem na Caatinga.

Serviço

O quê: Lançamento do Programa de Conservação do Tatu-Bola
Quando: nesta terça, 2 de março
Onde: Salão Aberto da Fiec (avenida Barão de Studart,1980 – Aldeota), às 18h.

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BATE-PRONTO

Emerson Oliveira, coordenador de Ciência e Informação da Fundação Grupo Boticário, afirma que, ao apoiar programas de preservação no Brasil, a iniciativa privada pode contribuir com a redução do impacto das mudanças climáticas nos biomas da Terra. Ao tentar recuperar e conservar o habitat do tatu-bola, por exemplo, se fortalece a Caatinga contra as mudanças climáticas. Leia entrevista a seguir, concedida por e-mail, ao O POVO:

O POVO – Qual retorno que a Fundação Boticário tem quando financia programas de preservação, a exemplo do tatu-bola?
Emerson Oliveira – Proteger o tatu-bola envolve a proteção de habitats na Caatinga, que é o único bioma 100% brasileiro e que carece de proteção. A espécie é um símbolo do bioma e pode ser um símbolo pela conservação de toda a região.

OP – Como o Boticário acompanha o andamento do programa?
Emerson – As ações desenvolvidas pela Associação Caatinga envolvem o monitoramento dos habitats e regiões de ocorrência. Análise de áreas para criação de unidades de conservação públicas e reservas particulares do patrimônio natural (RPPNs) para proteção da espécie. E realização de eventos e oficinas de sensibilização das comunidades. As atividades serão reportadas semestralmente à Fundação.

OP – Quais critérios são usados pela Fundação Boticário para decidir apoiar um projeto de preservação?
Emerson – Priorizamos projetos que envolvam espécies ameaçadas, de biomas que necessitem de ações de conservação mais efetivas (como a Caatinga) e que tenham Planos de Ação planejados.

OP – Isso contribui de que maneira no arrefecimento das mudanças climáticas?
Emerson – As mudanças climáticas afetarão os biomas em função de eventos climáticos extremos, sobretudo alterando o regime de chuvas e a oscilação da temperatura sazonalmente. Estes eventos climáticos podem ter impactos nos biomas, especialmente em áreas naturais que sofrem modificações pelas atividades do homem. A proteção dos habitats do tatu-bola, importantes áreas da Caatinga, fortalecerá o bioma. (Demitri Túlio)

SAIBA MAIS
- Desde 2012, a Associação Caatinga desenvolve ações para a preservação do tatu-bola.
- Existem 11 espécies de tatus no Brasil das 19 espécies que ocorrem nas Américas. Eles têm importância no equilíbrio ecológico e na saúde das florestas, pois se alimentam essencialmente de cupins, contribuindo para a regulação da população de insetos.
- O tatu-bola ainda ocorre na Caatinga em áreas com cobertura florestal preservada. Os lugares coincidem, na maioria das vezes, com locais que protegem nascentes e fontes de água.
- Segundo o biólogo Rodrigo Castro, da Associação Caatinga, a preservação dos habitats do tatu-bola não é apenas importante para a sobrevivência da espécie. Garante a segurança hídrica das populações humanas no semiárido, que depende das florestas preservadas para a manutenção deste serviço ambiental (recarga hídrica).
- O custo total para a implementação do programa, em cinco anos, foi orçado em cerca de R$ 7 milhões. Para a primeira fase já foram mobilizados, aproximadamente, 10% desse valor.

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