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Prefeitura suspende desapropriação e estuda implantar Bicicletar Social

Decisão foi informada em audiência pública realizada na noite desta quarta-feira, 9. Cerca de 250 moradores estiveram presentes

17:00 | 10/03/2016
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A Prefeitura de Fortaleza não irá desapropriar os 26 imóveis da rua Santa Sofia com a avenida Doutor Theberge, no bairro Presidente Kennedy. O decreto foi divulgado na noite desta quarta-feira, 9, pelo titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura de Fortaleza (Seinf), Samuel Dias, em audiência pública que reuniu cerca de 250 moradores. Além da decisão, a Seinf informou que a prefeitura estuda implantar o Bicicletar Social, inédito no Brasil.
 
De acordo com Samuel Dias, a prefeitura havia firmado o "compromisso" de apresentar uma alternativa para a comunidade. "Há um grande empreendimento na área e a localidade está mudando. Eu me comprometi tendo em vista que eles (os moradores) queriam permanecer lá e também os altos custos (para a retirada)", afirmou. O documento que foi entregue pela Seinf confirma a alteração do decreto que mantém decisão favorável às famílias. 
 
O secretário afirmou que há "grande possibilidade" da verba que iria para a obra ser direcionada para a implantação do Bicicletar Social. Diferentemente do programa que se popularizou em Fortaleza, os postos do novo Biciletar serão instalados nos terminais da Capital. Para facilitar a integral do modal com os coletivos, os usuários poderão retirar a bicicleta e passar até 12 horas. A medida permitirá que as pessoas passem um dia inteiro de trabalho ou a noite. "Faremos a integração dos terminais com as casas, criando mais um modal de transporte para as pessoas não se preocuparem com a volta para casa".

[SAIBAMAIS1]A decisão ocorre após manifestações dos moradores do bairro contra as desapropriações e baixas indenizações propostas pela prefeitura. Participaram também da audiência representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Defensoria Pública do Estado, além de advogados do Escritório Frei Tito de Direitos Humanos e representantes do legislativo municipal e estadual. O shopping RioMar não enviou representação.
 
Estavam previstas a duplicação das avenidas Sargento Hermínio (em frente ao shopping), Olavo Bilac (atrás) e a construção de uma nova rua na parte detrás do empreendimento. Além disso, era esperada a construção de uma alça na avenida Doutor Thembege, que causaria impacto negativo para as famílias que residem na área.
 
De acordo com o Movimento Daqui Não Saio, a decisão foi uma vitória para as famílias. Segundo a coordenadora Raquel Meneses, as desapropriações não beneficiavam as famílias e o valor das indenizações proposto pela prefeitura era irrisório. O órgão chegou a avaliar imóveis em R$ 10 mil. Para ela, a mobilização foi essencial para o novo decreto.
 
"Estamos felizes porque temos a esperança de que não vamos mais mexer conosco. Nós não queríamos conflito, apenas os nossos direitos", diz Rachel. Para ela, a prefeitura foi "sensível" por compreender os moradores, mas afirma que o movimento continua em atividade. "Vamos continuar porque fomos ajudados por outros movimentos. Agora nos sentimos na obrigação de continuar na luta por outras comunidades, outras pessoas que possam passar pelo problema que enfrentamos". 
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