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Falta de banheiros públicos em Fortaleza inspira intervenção artística

A criação colorida, acoplada à estrutura de uma bicicleta azul, surgiu após Narcélio Grud sentir uma "dor de barriga" e não encontrar um banheiro para usar

18:16 | 09/03/2016
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A ausência de banheiros públicos em Fortaleza, especialmente no Centro, bairro onde efervesce a Cidade, inspirou o artista plástico Narcélio Grud em uma nova intervenção urbana: um banheiro público móvel.

A criação colorida, acoplada à estrutura de uma bicicleta azul, chamou a atenção de adultos e crianças que circulavam nas praças do Ferreira e dos Mártires (Passeio Público) nesta terça-feira, 8.

De acordo com Narcélio, a intervenção sobre rodas surgiu após passar por apuros ao sentir uma "dor de barriga" e não encontrar um banheiro para usar.
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O toalete itinerante funciona a seco e utiliza raspas de madeira para absorver os detritos, sejam sólidos ou líquidos. Segundo o criador, esta alternativa já existia e foi apenas adaptada ao seu projeto, que ainda conta com àlcool em gel para assepsia e papel higiênico comum. "Não precisa de água e a raspa de madeira absorve bem e segura o cheiro", explica Narcélio.   

A ideia inicial era desenvolver um banheiro público ambulante com rodinhas, mas pensando no conforto, sustentabilidade e saúde, Narcélio preferiu reutilizar uma bicleta velha, antes apenas um "trambolho" abandonado em um canto de sua casa.

O banheiro especial, com inspiração estética "mais lúdica", conta ainda com um suporte para pendurar acessórios e é disponível para uso de pessoas de todos os gêneros, embora ainda cause estranheza em quem o vê.

"Não queria que ficasse um banheiro ostentação ou como um banheiro público normal ou de um shopping. O objeto em si é inusitado. A pessoas olham e perguntam: É de verdade? É para usar? Paga? É uma pegadinha?", conta o artista plástico.

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"Ocupar as ruas"

"Muitas pessoas usaram (o banheiro móvel) ontem. Por incrível que pareça, existiam alguns banheiros na Praça do Ferreira só porque tinha evento", critica Narcélio, acostumado desde sempre a ocupar as ruas com suas ideias e intervenções.
 
"Comecei pichando muro em 1989. A minha infância foi na rua, jogando bola e bila e depois vim apurando a necessidade de ocupar mais a rua, de voltar para a rua", afirma.

O artista diz utilizar suas intervenções artísticas como uma "contribuição política", não na concepção partidária, mas no sentido de envolver o coletivo.

"Hoje, com a violência, há uma indústria do medo, uma indústria da segurança e do perigo. É difícil ver crianças nas ruas e as praças precisam ter melhores condições para o convívio", observa.

Após ganhar no caráter obra de arte, a bicicleta móvel fará parte de uma exposição voltada para intervenções urbanas em São Paulo, no próximo dia 26.

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