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Empresa responsável pelo escoramento de obra na Raul Barbosa estava irregular desde dezembro

A SH chegou a ser multada pela ausência de Anotação de Responsabilidade Técnica. A questão foi regularizada dois dias após o acidente. Para o presidente do Crea, "a coisa correu muito folgada"

15:44 | 22/03/2016
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A responsável pelo escoramento da obra da ponte da avenida Raul Barbosa, SH Formas Andaimes e Escoramentos LTDA, foi notificada em dezembro, quando uma fiscalização Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (Crea-CE) constatou falta de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). O laudo técnico do conselho, divulgado na manhã desta terça-feira, 22, diz que a empresa ficou regular somente dois dias após o acidente, que deixou dois operários mortos.

O laudo técnico do Crea aponta inconsistências na concepção do projeto de escoramento, além de deficiências no fornecimento de peças, montagem, orientação e supervisão. O projeto era assinado por um engenheiro de produção mecânica, e a SH chegou a ser multada pela infração referente à ausência de ART.

"A modalidade do profissional não estava de acordo. A empresa tem a obrigação de supervisionar a montagem. A coisa correu muito folgada, tanto é que depois foram constatados vários problemas e deu no que deu", disse o presidente do Crea, Victor Frota Pinto.

%2b Confira o laudo técnico completo do Crea

A Comissão Especial do Crea foi formada um dia após o acidente com o objetivo de apontar as causas de desabamento da estrutura metálica de escoramento e seus apoios verticais. ''O que foi analisado é a situação pontual, no processo de concretagem de uma viga que quando estava com pouco mais da metade do peso do concreto não aguentou . É o projeto de cimbramento [escoramento], e não o projeto da obra em si", explicou o presidente.

Um dos pontos mencionados pelo relatório do Crea faz referência à falta de supervisão de recebimento e utilização de peças metálicas e madeiras. As peças foram liberadas sem critério técnico de verificação "quanto a sua boa qualidade". Os forcados (equipamento para apoios verticais) estavam com partes superiores inadequadas,  comprometendo a estabilidade e rigidez do conjunto.

[SAIBAMAIS 2] "O nosso poder é notificar e multar, isso nós fizemos em dezembro. Não resta dúvida que o contratante maior poderia ter sido mais exigente com relação aos seus subcontratados", completa Victor.

A SH disse, em nota, que está com toda sua documentação em conformidade com a lei e ainda analisa as informações do laudo do Crea.

A Seinf divulgou, na tarde da última segunda-feira, 21, laudo apontando um conjunto de fatores que, quando superpostos, contribuíram de forma decisiva para as ocorrências do acidente do dia 22 de fevereiro. "Todas as evidências, tanto de projeto como de execução estão relacionadas ao escoramento metálico, executado para o suporte durante a concretagem".

Ainda segundo nota, a comissão constatou a conjunção dos seguintes fatores: desalinhamento em um dos apoios, desalinhamento longitudinal do conjunto de treliças (suportes triangulares do escoramento) e baixa qualidade de uma das peças de união central de uma delas. "Esses efeitos, combinados, ocasionaram um deslocamento súbito e o consecutivo desabamento do conjunto do escoramento".

Procurada, a secretaria ainda não comentou o laudo técnico do Crea nem a irregularidade da SH. Em nota, a Seinf informou ''que não foram constatados problemas de projeto e de execução referentes às estruturas de concreto armado concluídas ou a serem executadas''.


''Não é prerrogativa, tampouco competência da comissão a atribuição direta de responsabilidades pelo evento, cabendo isso aos respectivos órgãos competentes. À Seinf, como contratante, cabe resguardar o interesse público de eventuais prejuízos, quer sejam financeiros ou de qualidade e prazo de obra. A Seinf reitera que o fato ocorrido configura-se como um evento isolado e sem precedente na história recente de obras da Secretaria", completou.

O POVO Online entrou em contato com a Ferreira Guedes, responsável pela obra, e também aguarda posicionamento.

Os laudos técnicos do Crea e da Seinf serão anexados ao inquérito da Polícia Civil. O delegado responsável pelo caso, João Munguba Neto, disse que os documentos serão utilizados, mas a investigação será embasada no laudo da Perícia Forense.

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