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Cearense investigado pela morte de Gaia tem prisão prorrogada por mais 30 dias

Defesa pediu relaxamento da prisão desde a última segunda-feira, 28
22:34 | Mar. 31, 2016
Autor Jéssika Sisnando
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Jéssika Sisnando Repórter
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Tipo Notícia
A prisão do sobralense Francisco Douglas Sousa, de 23 anos, foi prorrogada pela Justiça por mais 30 dias nesta quinta-feira, 31. O cearense é investigado pelo envolvimento na morte da italiana Gaia Mollinari, de 29 anos. A turista foi morta na localidade de Serrote, na Praia de Jericoacoara, no dia 24 de dezembro de 2013.

Douglas está preso desde o dia 1º de março após cumprimento de um mandado de prisão temporária. Segundo a Polícia Civil, a prisão foi necessária para o aprofundamento das investigações.

O representante do escritório Muniz e Filhos, advogado Davi Muniz, diz que na última segunda-feira, 28, a defesa pediu o relaxamento da prisão do jovem sobralense por falta de um "pressuposto legal". "Existem indícios, mas não provas. Não há prova concreta que ele tenha cometido crime. Ele foi preso porque tem um passaporte e viajava para o exterior e também porque há indícios, juntando isso a autoridade policial acredita que ele possa atrapalhar as investigações estando em liberdade", explicou a defesa.

O advogado diz que a defesa de Douglas tem acesso a parte do inquérito policial, que as investigações acontecem de forma sigilosa, mas alerta que não existem provas contra Douglas. "No pedido de relaxamento fizemos uma cláusula de compromisso pra que ele se comprometa sempre que requisitado para dar qualquer esclarecimento. Juntamos o passaporte e o RG dele e deixamos a disposição do juiz para mostrar que ele não vai viajar", relatou.

Depoimento
 O amigo de Douglas, Raul Marques, de 22 anos, prestou depoimento em uma delegacia de Fortaleza no dia 15 de março.

"Depois que ele (Douglas) foi preso chegou uma intimação na minha casa e outra para uma amiga nossa que morava em Jericoacoara, a Monalisa. Eu passei uma temporada em Jeri depois que aconteceu o caso, fui no Ano Novo, nunca o Douglas ou a Monalisa comentaram sobre o caso", explica.

Raul conta que Douglas morava em um quarto alugado localizado no camping ao lado da pousada em que Gaia estava hospedada. Ele trabalhou em um hotel durante aproximadamente um ano. "Tinha ido à Fortaleza e quando voltei a Sobral soube que tinha sido intimado e disseram que estavam me investigando. Quando cheguei à delegacia, eles (policiais) disseram que sabiam das lojas que andei em Fortaleza, falaram que sabiam de tudo e que se eu mentisse poderia sair preso, tipo me pressionando", detalhou.

[SAIBAMAIS 4] O estudante diz que o interrogatório durou pelo menos duas horas, que na sala haviam quatro pessoas perguntando ao mesmo tempo e ele não conseguia responder as perguntas. Depois, apenas um delegado de Polícia Civil passou a questionar. "Perguntaram como conheci o Douglas, se eu já tinha visto a Gaia em Jericoacoara, se o Douglas teve um caso com ela", relatou.

Durante o interrogatório, Raul explica que os policiais mostraram, em computadores da delegacia, fotos de amigos dele e de Douglas. Em seguida, mostraram o vídeo do circuito externo de um restaurante, no dia 24 de dezembro, ao meio-dia, em que Douglas aparecia com uma mulher. O amigo do jovem preso diz que não soube identificar quem era, mas acredita ser uma americana chamada Micaele.

"Assemelhava muito a Micaela porque ela usava tranças e elas eram muito parecidas no jeito de se vestir. Quando a pessoa viaja muda um pouco de estilo. Eles [Polícia] alegavam que a Micaela não usava bolsa larga, não usava bolsa de lado, como a que aparecia no vídeo, mas mostrei uma foto em que ela aparecia usando bolsa de lado", comentou.

Raul também contou aos policiais sobre como se manteve financeiramente na Europa e como o Douglas viajou e fez compras em lojas de grife. "Perguntaram do curso de enfermagem que eu tinha feito, onde a gente ficava na Europa, quem bancava as viagens, as saídas, como o Douglas poderia estar com uma sacola da Dolce & Gabbana [marca italiana famosa. Perguntaram se a Micaela era gay, aí eu disse que minha mãe pagou a passagem e que eu conhecia uma pessoa na Alemanha”, relatou.

O amigo também contou que Douglas o visitou na Alemanha. “Ele também esteve na Suécia. Teve um rapaz que pagou a passagem dele e deve ter dado algum dinheiro para ele ficar por lá, mas é assim, quem convida manda uma carta-convite e acaba pagando algumas coisas", explica.

Polícia
O POVO entrou em contato com o delegado geral da Polícia Civil, Andrade Júnior, para que ele comentasse o resultado dos laudos periciais, mas ele informou que o caso está sob sigilo. A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) atualizou as informações sobre o caso apenas com os dados da prorrogação da prisão de Douglas.

O vice-cônsul da Itália no Brasil, Roberto Misic, disse que a embaixada da Itália não possui informações concretas acerca do envolvimento de Douglas no crime e que na próxima semana deve se reunir com a Polícia Civil. Após a reunião, ele deve atualizar a família da italiana a respeito do caso.

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