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Acusado de matar comerciante com uma chave de fenda na cabeça e ferir outro será julgado

Advogado é acusado pelos crimes de homicídio e tentativa de homicídio, ambos com duas qualificadoras (motivo fútil e meio cruel). Comerciante e pai foram atingidos pelo acusado em uma briga de trânsito, no bairro Varjota, em 2001

19:44 | 05/08/2014
Treze anos depois do assassinato do comerciante José Wildson Saraiva Belém, na época com 25 anos, o advogado Vitor Quinderé Amora, acusado de homicídio e tentativa de homicídio contra o pai de Wildson, em uma briga de trânsito, será julgado. Julgamento da 3ª Vara do Júri de Fortaleza terá início às 9 horas desta quinta-feira, 7, conforme informações do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE).

O crime ocorreu no dia 7 de agosto de 2001, após uma colisão na rua Frei Mansueto, bairro Varjota, em Fortaleza. Na ocasião, José Wildson dirigia uma Belina e se envolveu em acidente de pequenas proporções. Acompanhado do pai, o comerciante aposentado José Wilson, na época com 66 anos, e um empregado da família, Wildson aguardava o Juizado Móvel.

''O prejuízo era pouco, foi uma batida simples e a gente já tinha entrado em acordo'', contou o comerciante aposentado, em matéria publicada pelo O POVO três dias depois da briga, em 2001. Conforme o TJCE, Vitor Quinderé buzinava insistentemente por causa do engarrafamento e quase atropelou duas pessoas que estavam no local.

Indignado com a atitude do motorista, um dos presentes teria dado um tapa no teto do veículo de Vítor, que desceu do carro gesticulando e gritando xingamentos. José Wilson tentou acalmar o agressor, pedindo que se retirasse, ao que o advogado entrou novamente no veículo. Ele retornou com uma chave de fenda na mão e atingiu José Wilson na cabeça e no ombro, conforme os autos do TJCE.

O aposentado conseguiu se desviar e amenizar os golpes desferidos pelo advogado, mas o filho, José Wildson, foi atingido na cabeça quando tentava socorrer o pai. Houve uma perfuração de 18 centímetros na caixa craniana, que causou uma lesão no tronco do cérebro, e Wildson morreu alguns dias depois.

A defesa sustenta que o acusado agiu em legítima defesa e pediu a absolvição pelo assassinato. Em relação à tentativa de homicídio, requereu ainda a desclassificação do crime para lesão corporal, afirmando que não houve a intenção de matar.

Julgamento
Segundo o TJCE, o juiz Antonio Carlos Pinheiro Klein Filho presidirá o julgamento. A acusação ficará com o promotor de Justiça Humberto Ibiapina e o assistente de acusação José Anchieta Santos Sobreira. A defesa terá os advogados Clayton Marinho e Leandro Vasquez. O réu será julgado pelos crimes de homicídio e tentativa de homicídio, ambos com duas qualificadoras (motivo fútil e meio cruel).

Versão do comerciante
Na época, o aposentado José Wilson disse ao O POVO que acreditava que houve premeditação por parte do acusado ao deixar o carro distante e retornar ao local da colisão. ''Nós queremos que os fatos sejam esclarecidos. Eu sei que nada vai trazer o meu filho de volta, mas eu quero justiça'', implorou ele, em entrevista após a briga, em 2001.

Após a morte de José Wildson, dois pacientes receberam as córneas dele. Os receptores foram Júnior Pereira Alves e Breno Araújo Oliveira, que na época tinham cinco e quatro anos de idade, respectivamente.

AMANDA ARAÚJO

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