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Parei de fumar. E agora?

A ex-fumante Camila Holanda diz como foi largar o cigarro depois de anos

01:30 | 31/05/2012

Era domingo quando acordei e decidi: parei de fumar. Isso foi em dezembro de 2011. Depois de cinco anos ativa, estava interrompendo bruscamente meu hábito. “Parei de fumar! O que eu faço com minhas mãos? Será que vou engordar?”, perguntava aflita. Eu estava largando meu companheiro! Claro, não teve glamour algum, e nem parei porque havia deixado de gostar. Tremi, chorei, mas consegui. Quando superei a primeira semana, vi que ia dar certo. Confesso ter sido mais fácil do que pensei.

Minha relação com o cigarro era cotidiana. Ele estava presente em todos os momentos. Fumava cerca de um maço por dia, mas decidi por minha saúde, pela qualidade de vida. E fui inflexível na decisão. Logo na segunda-feira, fui à Beira Mar e voltei a fazer caminhadas com meu pai, para conseguir “acelerar” o processo de desintoxicação física e, principalmente, psicológica. Deu certo.

Quando completou um mês, vi que já não tinha mais como voltar atrás. Eu era uma ex-fumante! Conseguia subir escadas sem cansar tanto, não tinha mais amigdalite, minhas dores do estômago melhoraram e até meu hálito ficou mais agradável. Hoje, quase seis meses depois, vejo que foi a melhor decisão que eu poderia tomar, em contrapartida, não me arrependo de um cigarro fumado. Foram bons momentos.

Além do lado pessoal, parar de fumar também tem um importante viés social. As pessoas comentam, parabenizam e até oferecem uns tragos. A decisão, portanto, passa a ser pública. Todos cobram de você e até há pessoas que esperam vê-lo fumando de novo, fazem piadas e dizem que você não vai conseguir. No fundo dos comentários, uma vontade frustrada de parar. A grande vantagem da coisa toda é querer mostrar a força de vontade e atingir as cobranças dos conhecidos. Pensando nisto, a primeira atitude que eu tive foi de espalhar minha novidade e oficializar logo.

Agora, convenhamos, chato demais ex-fumante que milita para que estranhos, amigos e parentes larguem o hábito. Nunca gostei de ouvir e, junto à decisão de parar, resolvi também que não seria uma dessas ex-fumantes temidas pelos amigos fumantes. Eventualmente, se pedem conselhos, dou, se querem ajuda, apoio, mas optei por não adotar uma postura agressiva. A decisão é íntima, delicada e corajosa.

Camila Holanda
[email protected]

 

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