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Cinco pessoas são apontadas pelo MPF como responsáveis pelo vazamento de questões do Enem; colégio nega acusações

15:02 | 08/03/2012

Cinco pessoas podem ser responsabilizadas pelo vazamento das questões do Exame Nacional do Ensino Médio de 2011. A denúncia foi feita pela procuradora responsável do inquérito da Polícia Federal, Maria Cadelária Di Ciero, e encaminhada para a Justiça Federal. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira, 8, pelo procurador do Ministério Público Federal no Cearrá (MPF-CE), Oscar Costa Filho.

De acordo com os relatórios da Polícia Federal, os culpados seriam um representante da Fundação Cesgranrio, um do Inep e dois do colégio Christus, sendo um professor e um coordenador. As questões constavam em uma apostila distribuída pela escola, e os alunos tiveram acesso antecipado a 14 questões que foram cobradas na prova de outubro de 2011. O inquérito concluído pela PF confirmou que os funcionários estavam envolvidos no caso.

Os dois funcionários do Inep, segundo a denúncia do MPF, serão indiciados por falsidade ideológica, pois negaram oficialmente não haver a possibilidade de os cadernos de provas serem visualizados. Segundo o órgão: “com o objetivo evidente de acobertar a extensão do vazamento da prova”.

Já os representantes da Cesgranrio serão responsabilizados por disponibilizar os cadernos do pré-teste aos coordenadores do Christus. “Eles não dispunham de autorização legal de acesso ao material”, explica o MPF.

Os servidores do colégio envolvido são apontados como sendo um professor e um coordenador e são acusados de ter utilizado e divulgado o material sigiloso de forma ilegal. Além disto, o resultado das investigações mostra que o vazamento não se limitou aos cadernos três e sete, comprovadamente distribuídos, mas estendeu-se aos demais 30 aplicados. “A tabela apresentada pelo Inep demonstra a coincidência de itens do pré-teste e da prova do Enem em 2011”.

O Colégio Christus rebateu as acusações e negou, caracterizando como sendo "infundadas e tecnicamente equivocadas". 

Segundo Maria Candelária Di Ciero, se condenados, os denunciados podem ser punidos com restrição de direitos, multa ou prestação de serviço público. Mas atenta: "detenção eu acho difícil, pelo fato de eles serem réus primários".



Segurança em novos testes
O procurador Oscar Costa Filho questiona a capacidade do MEC de promover uma prova segura. Segundo ele, não há como garantir a segurança do próximo exame do Enem. “O exame de abril foi adiado por isso. O MEC já sabia. A prova foi adiada, porque eles não têm condições de fazer", defende.

A eficácia da segurança é posta à prova e o MPF conclui que o vazamento ocorreu pela “vulnerabilidade” do sistema e pela deficiência da composição do Banco Nacional de Itens (BNI), violando a metodologia que regulamenta a aplicação do exame.

Camila Holanda
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