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PUBLIEDITORIAL empreender

Mais que amigas, sócias

Empreendedoras contam como a amizade ajudou nos negócios

20/07/2021 00:00:21
As sócias fundadoras do Nupê Café, Bia e Laura
As sócias fundadoras do Nupê Café, Bia e Laura

Amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito, já diz a canção de Fernando Brant e Milton Nascimento. E neste dia 20 de julho, Dia Internacional da Amizade, vamos conhecer a história de 4 empreendedoras que fizeram da amizade seus modelos de negócio.

A amizade entre Bia Araújo, 27, e Laura Barbosa, 29, começou na cozinha e as levou ao sonho de empreender. Foi numa conversa despretensiosa que a ideia de ter um café, que já fazia os olhos de Laura brilharem, acendeu também uma faísca no plano das ideias da Bia. Da terra do reggae para a terra do sol, as maranhenses cruzaram seus caminhos só na capital cearense e desde então a amizade foi ganhando corpo, forma e, há cerca de 2 anos, um negócio.

Formada em gastronomia há 8 anos, Bia escolheu viver em Fortaleza há 9. Sempre foi da cozinha quente, mas “chega um momento na vida em que você procura o próprio negócio, é tipo o sonho da casa própria”, comenta. Foi quando começou a idealizar “SE” teria um negócio. Já trabalhava no ramo como catering, prestando consultoria e em eventos. Estava tudo dando certo, mas era comum os clientes perguntarem: “Como faz pra comer de novo? Onde fica seu restaurante? Isso começou a pesar um pouco. Queria muito mostrar minha comida, queria que ela estivesse mais disponível para meus clientes em algum lugar”, lembra.

Foi quando, trabalhando numa confeitaria da cidade, seu caminho se cruzou com o da Laura. Bia trabalhava como chef e Laura veio lá do Maranhão para estagiar no mesmo espaço. A afinidade foi tanta que Bia, ao deixar a confeitaria, confiou o cargo para a nova colega. Laura cursou Nutrição, mas já ali percebeu o gosto pela gastronomia. Diferente de Bia, seu foco foi sempre na confeitaria, “como toda boa apaixonada por chocolate e café”, conta.

O estágio na mesma confeitaria em que a Bia trabalhava veio do curso de Nutrição. Laura, inclusive, se formou, chegou a montar consultório e atender. Porém, sempre com o chamado doce da gastronomia, decidiu então investir no curso. Se encontrou. Foi numa carona pra casa, entre conversas e planos para o futuro, que as duas colegas compartilharam entre si o desejo de ter um café. Este, aliás, era o sonho da Laura, que pensava em regressar ao Maranhão para colocá-lo em prática. Então Bia lançou a ideia, meio na brincadeira: “por que não faz aqui, tão mais perto... quem sabe a gente possa pensar em algo juntas?” Laura riu, mas estava plantado o embrião empreendedor. O tempo passou e cada uma seguiu sua vida profissional em paralelo, mas o elo entre as duas nunca foi quebrado.

E aquela a sementinha plantada na cabeça da Bia havia cinco anos não lhe fugiu mais da memória. Pelo contrário, floresceu. Com a lembrança do café, veio junto Laura: “Eu lembro muito desse pensamento de querer trabalhar com a Laura, com alguém que pensasse parecido comigo, que desenvolvesse coisas comigo. Não queria ser uma cabeça pensando sozinha, solitária. Precisava de alguém que dividisse o fardo comigo”, conta.

Foi quando lançou a primeira proposta sincera para Laura: “Amiga, eu não entendo, eu não sei quanto isso custa, mas vamo desenhar, vamos fazer o nosso plano, vamos idealizar nosso negócio no papel”. E foi aí que o Nupê nasceu, primeiro no papel.“A primeira coisa que a gente fez do Nupê foi o cardápio, por que isso era a parte mais gostosa de fazer e era a parte que eu faria, sem dúvida”. A partir do coração do café, o cardápio, começaram a idealizar o espaço, a essência, as raízes, a conexão do Maranhão com o Ceará. A ideia foi tomando forma, até esbarrar na questão financeira: “Foi quando vimos que era inviável. Mas o plano já tinha sido traçado”. E continuaram correndo atrás.

A cada placa de aluga avistada pelas ruas da cidade, eram ideias que brotavam: como aquele ponto poderia se transformar no café, como seria a arquitetura, como o negócio se desenharia. Mas, de concreto mesmo, ainda era só o desejo. Até que, por acaso, Bia encontrou um lugar que parecia perfeito. Sem contar nada a Laura, foi visitar o espaço com uma lista imensa de perguntas. Resultado: deu check em todas elas e decidiu dividir o achado com a amiga.

Bia, então, levou Laura para conhecer o ponto e tiveram a mesma sensação: “acho que chegou a nossa hora”, concluíram. Iniciaram o processo em maio e abriram as portas do café três meses depois. “Abrimos só em agosto porque a gente testou tudo antes: testamos todos os pratos, simulamos como seria a experiência de casa cheia, se nosso sistema estava funcionando perfeitamente, ligamos todos os equipamentos de uma só vez pra ver se não ia dar um curto, enfim, fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para termos uma abertura tranquila”, relembra.

No início, a ideia era trabalhar só as duas, já que nem cogitavam que teriam algum dinheiro para bancar funcionários. Mas assim que começaram, perceberam a necessidade de mais uma mão na roda. Foi a primeira contratação. Jaiara Sousa, 27, até hoje integra a equipe. Em agosto deste ano, o café completa dois anos de existência: “Nossa experiência vem sendo muito feliz nesse tempo”.

 

Com a entrada da terceira sócia Michelle, o Nupê cresceu e ganhou uma nova unidade
Com a entrada da terceira sócia Michelle, o Nupê cresceu e ganhou uma nova unidade (Foto: Igor Barbosa)

Daí que, no meio do caminho, apareceu Michelle Holanda, 44, cliente assídua e que sempre paquerou o Nupê. Muitas conversas depois, a nova amiga se tornou também sócia. A nova sociedade já rendeu a abertura de mais uma unidade do Nupê, agora na parte sul da cidade. Hoje, a equipe segue bem definida: Bia cuida de tudo que envolve criação, marketing, cozinha, desenvolvimento de novos produtos e escolha de matéria-prima. Laura cuida do administrativo: financeiro, pagamentos e contas, além de contribuir no lado criativo do negócio. Com Michelle, fica tudo que envolve o comercial: novas ideias, planilhas, futuro, planejamento anual, ambientes corporativos. “Isso nunca foi dividido no papel, foi uma coisa natural”, pontua Bia, que como já deu pra perceber, também responde pela comunicação do café.

“Hoje sendo três sócias e amigas, a gente se escuta muito, mas eu acho que a parte mais importante é que a gente está olhando para o mesmo horizonte, para a mesma coisa. A gente idealiza o mesmo futuro, imagina o mesmo crescimento e mira lá”, comemora.

Do Ensino Médio ao empreendedorismo
Já Mayara Mader, 33, e Joelma Araújo, 32, se conheceram ainda no Ensino Médio. A amizade de escola rendeu frutos no Ensino Superior, quando decidiram prestar vestibular para Agronomia. Ainda na faculdade, foram apresentadas ao paisagismo, para o qual seguiriam anos depois, juntas.

Mayara e Joelma sócias da Varanda Viva
Mayara e Joelma sócias da Varanda Viva (Foto: Acervo pessoal)

Joelma formou-se um ano antes e seguiu para o mercado formal. Quando Mayara também recebeu seu diploma e seguiu no mesmo regime, Joelma experimentava a maternidade. “Enquanto a Jô vivia intensamente as maravilhas e loucuras do puerpério e dos primeiros anos da Zoe, eu estava casando e cursando mestrado e doutorado do outro lado do mundo”. Parecia que seus cronômetros estavam mesmo em fusos diferentes.

De volta ao Brasil, Mayara sentiu o chamado da maternidade. Agora, além da formação - e dos filhos - elas tinham em comum um plano ambicioso: descobrir um caminho profissional que incluísse a vida materna, fizesse a diferença na vida das pessoas e lhes trouxesse sustento e felicidade. “Escolhemos empreender para poder ficar mais perto dos nossos filhos”. Nasce assim a Varanda Viva, com o objetivo de tornar a vida das pessoas mais verde, independente do tamanho de suas moradas. O principal desafio: um total de zero reais para começar.

“Eu acredito que quando a gente decide uma coisa o universo conspira pra fazer acontecer. A Joelma estava estudando pra concurso e eu tinha acabado de terminar um contrato numa ONG e, em maio de 2019, resolvi criar a ideia do negócio” . Escolheu nome, identidade visual e falou com a Joelma que, depois do concurso, se dedicariam a esse projeto.

Logo depois da prova, um amigo ofereceu um espaço para que começassem e uma tia indicou o primeiro serviço da dupla. Com o dinheiro, investiram nos primeiros insumos: estava aberta a Varanda, especializada em manutenção de jardins de apartamento. “Pra gente, gerir em conjunto foi, e é até hoje, muito vantajoso porque temos estilos diferentes; eu tenho muita explosão, ideias, e Joelma tem muita consistência, continuidade”, explica.

Durante a pandemia, precisaram adaptar o negócio e incorporaram a venda de plantas ao leque de serviços. Foi também neste período que passaram a dividir melhor as tarefas: “Eu fiquei mais com a parte digital, remota, Instagram e vendas. Ela (Joelma), com a parte logística, compra e entrega de plantas”, conta. Hoje, no perfil da marca, além da venda de plantas, é possível conferir ótimas dicas com quem entende do assunto.