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PUBLIEDITORIAL empreender

Sorte nos negócios e no amor

A história de casais que empreendem juntos

01/06/2021 00:00:04
Renata Monte e Luana Caiubi na produção da série Ponto Cantado, projeto audiovisual, que homenageia a musicalidade da Ubanda
Renata Monte e Luana Caiubi na produção da série Ponto Cantado, projeto audiovisual, que homenageia a musicalidade da Ubanda

Foi durante a quarentena, que o casal Rafael Jeferson, 33, e Gleiciane Cavalcante, passaram a dedicar boa parte de seu tempo para cultivar plantas. Assim como tantas outras pessoas, eles encontram nos cuidados com as plantinhas, uma saída saudável para os cuidados com a mente. “Foi uma espécie de terapia alternativa, eu comecei a adquirir conhecimento sobre plantas, fiz um curso de jardinagem… já era um hobby, a gente chegou a cultivar quase 60 exemplares de plantas num apartamento muito pequeno, virou uma selva em pouco tempo”, conta Rafael.

Rafael e Gleiciane em seu box de plantas, na Praça das Flores
Rafael e Gleiciane em seu box de plantas, na Praça das Flores (Foto: Acervo Pessoal)

Rafael é produtor cultural e Gleiciane, social media. Mas com a chegada da pandemia, os dois perderam suas principais fontes de renda. Foi quando aquela “selva”, cultivada dentro do pequeno apartamento, deu lugar a uma grande ideia: rentabilizar a paixão em comum. Não pensaram duas vezes, pegaram todo o dinheiro que tinham e investiram no novo negócio. Nascia assim o embrião da The Jungle, arte com plantas.

 

A argentina Paula Marina Radic, 34, e o brasileiro Felipe de Assis Fonseca Moreira, 34, se conheceram no Equador, há cerca de dez anos. Ambos trabalhavam com artesanato, ele com metais e ela com macramê, viajando pelo mundo como artistas itinerantes. Quando seus caminhos se cruzaram, “foi paixão à primeira vista”, como conta Paula. O talento obtido a quatro mãos, deu início não só a um relacionamento, mas também a um novo negócio. “Desde o começo, quando nos conhecemos, começamos a trabalhar juntos, mas não tínhamos essa consciência de que a gente empreendia”. Foi quando em 2015, aterrissaram no Ceará e começaram a desenhar o esboço do que seria seu empreendimento juntos: o Ateliê Tienda, que produz jóias personalizadas feitas a partir de pedras naturais. Foi quando “ a gente sentou, pensou num nome, nas cores, na essência do que a marca ia ser”, lembra Paula.

Paula e Felipe dividem o lar/trabalho em Canoa Quebrada
Paula e Felipe dividem o lar/trabalho em Canoa Quebrada (Foto: Acervo Pessoal)

Há cinco anos, o casal produz e mantém seu ateliê em Canoa Quebrada. Juntos, confeccionam jóias personalizadas se utilizando das mais diversas técnicas. Em tempos “normais”, as ruas de Canoa viram pontos de venda, mas hoje em dia estão apostando mais forte na internet para escoar suas produções.

Se tem um casal que nasceu, literalmente, da folia, foi Renata Monte, 28, e Luana Caiube, 29. Foi em meio à perucas, purpurina e batuques carnavalescos que a jornalista e produtora cultural e a musicista e, também produtora cultural, se conheceram. Renata trabalhava com o coletivo As Travestidas e Luana era proprietária do Mambembe, espaço cultural, bar, restaurante, que durante sete anos foi ponto de encontros e afetos, na rua dos Tabajaras, na Praia de Iracema. Na época, o coletivo precisava de mais alguém que pudesse botar o Bloco das Travestidas na rua, que diga-se de passagem é um dos blocos mais sensacionais do carnaval cearense. De início, Luana entrou no circuito para produzir apenas bloco, mas juntas foram desenhando muitos outros projetos: “Em 2017, botamos o Bloco na rua e produzimos o show Levianas, com Silvero e Mulher Barbada e foi um sucesso. Foi nesse momento que nós descobrimos que trabalhávamos muito bem juntas. Desde sempre existiu uma conexão muito forte entre nós, um bem querer danado, mas foi só quando nos tornamos amigas que descobrimos tudo o que tínhamos em comum, principalmente, nossas fragilidades”, declara Renata.

Cúmplices nos negócios, no amor e na amizade, Luana Caiubi e Renata Monte estão juntas há cerca de 2 anos
Cúmplices nos negócios, no amor e na amizade, Luana Caiubi e Renata Monte estão juntas há cerca de 2 anos (Foto: Acervo Pessoal)

Até ali, tudo era na base da amizade e do profissionalismo. Depois de um tempo distantes, entre bares do Benfica e festas no Mambembe, os caminhos das duas se conectaram novamente, a paquera engrenou e não se afastaram mais: “Passamos a morar juntas antes mesmo de namorarmos. O pedido de namoro veio depois, em maio de 2019. O pedido de sociedade em menos tempo ainda, em julho daquele ano. Entendemos que seria interessante formalizar o que nós já fazíamos e procuramos uma mentoria de branding”. Nascia a produtora Peixe Mulher, estação criativa de arte, cultura, feminismo e resistência, que além de muitos outros trabalhos, produz o Bloco das Travestidas, Levianas, Festival das Travestidas, além de shows como A Barbada do Roberto, Selvabeat com Linn da Quebrada, dentre outros eventos que movimentam a cena cultural da cidade.

Pensar junto torna, quase sempre, uma tarefa mais fácil, mas empreender junto traz também inúmeros desafios. Para Rafael e Gleiciane, as divergências enquanto casal permeiam também o ambiente de trabalho: “o desafio é lidar com o que é diferente no outro, equilibrar como casal e como profissionais no dia a dia, para que essas diferenças não se tornem um problema”, pontuam. Para facilitar, combinaram de setorizar as responsabilidades da empresa, assim cada um cuida da parte que lhe cabe e que mais tenha a ver com suas habilidades.

Para Paula e Felipe, o primeiro grande desafio é conciliar a vida pessoal com o trabalho, principalmente quando a linha que separa casa e trabalho não existe: “nosso ateliê funciona na nossa casa, então se você não consegue dar espaço para o casal fica tudo muito misturado”. Mas há de se destacar também as delícias de se sonhar junto: “Às vezes as pessoas me perguntam se a gente não se cansa de estarmos sempre juntos, todo dia. Acredito que o segredo é, mesmo morando na mesma casa, manter nossas atividades separadas também. Por exemplo, Felipe gosta de surfar, eu vejo meus amigos, ele vê os amigos dele. A gente tem nossa vida por fora”, pontua Paula. E para Felipe, as belezas estão justamente nas pequenas e importantes coisas: “no estar junto, no dar apoio, compartilhar as incertezas e as alegrias. É sempre muito bom, muito intenso”.

Tentar separar a Luana e a Renata profissionais e o casal, têm sido o maior desafio das “benzinho”, que dentre outras coisas, precisam enfrentar uma pandemia, cuidar da casa, que também é local de trabalho, e lidar com a saúde mental do isolamento: “Às vezes, rola briga, desentendimento, sai faísca por conta do trabalho e a birra se expande na relação. Às vezes, a gente briga por coisas do namoro e fica cada uma pra um lado da casa e se falando profissionalmente só pelo WhatsApp. É meio esquizofrênico, mas isso sempre dura muito pouco tempo”. Elas pontuam ainda, numa conversa bonita, que “existe um processo de refazimento de si e da gente que é interessante. A gente não gosta de briga, nem de clima ruim, nem de ficar sem poder mandar meme uma pra outra, então a gente se desculpa, se resolve logo”.

Para o consultor e especialista em varejo, Randal Mesquita, entre os principais e mais comuns desafios de se empreender juntos estão: separar conflitos pessoais dos temas mais relevantes para o negócio, determinar objetivos claros em conjunto, separar recursos financeiros próprios do fluxo de caixa do negócio e administrar com eficiência sem atravessar as decisões tomadas em cônjuge. A grande dica do especialista é: “trate seu cônjuge como o sócio que decidiu correr riscos, dividir responsabilidades e compartilhar resultados com você”.