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Ipea: resultado de leilões é sinalização muito boa para investimentos

07:40 | 05/10/2017
A arrecadação dos leilões na área de energia e petróleo realizados na quarta-feira, 27, pelo governo são uma excelente sinalização para a recuperação dos investimentos no País, avaliou José Ronaldo de Castro Souza Júnior, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos no Produto Interno Bruto) deve cair 2,5% em 2017, mas avançar 4,2% em 2018, segundo as estimativas divulgadas nesta quinta-feira, 28, pelo Ipea.

"Os leilões de ontem deram uma sinalização muito positiva porque são investimentos de longo prazo. O investimento numa usina hidrelétrica é de longo prazo, sinaliza que os investidores estão dispostos a trazer dinheiro para o Brasil de longo prazo. Isso é fundamental, porque, embora a gente tenha capacidade ociosa em diversos setores da economia, a infraestrutura ainda é precária. Precisa de muito investimento em infraestrutura. A gente precisa atrair esse capital, seja nacional ou estrangeiro, para esses investimentos de longo prazo. E esses investimentos só acontecem quando há confiança no ambiente macroeconômico", disse Souza Júnior.

A 14ª Rodada de Licitações de blocos para exploração de petróleo e gás natural, no Rio, arrecadou R$ 3,842 bilhões. Já o leilão de quatro usinas da Cemig, em São Paulo, levantou R$ 12,130 bilhões. O resultado representou uma receita R$ 4,2 bilhões maior do que a prevista pelo governo.

"Isso é indicação de que há um cenário com risco menor. Se os riscos fossem elevados, dificilmente seria possível fazer um leilão desse com o sucesso que foi", ressaltou o diretor do Ipea.

Souza Júnior reconhece que o avanço nos investimentos no ano que vem ajudará a dar mais qualidade ao crescimento do PIB, já que a recuperação da atividade econômica em curso hoje ainda está muito calcada no aumento do consumo das famílias. Em 2018, a expectativa é de crescimento mais disseminado entre os componentes do PIB.

Nas projeções do Ipea divulgadas , o PIB crescerá 0,7% este ano, seguido por um avanço de 2,6% no ano que vem. O PIB industrial aumentaria 0,5% em 2017 e 3,4% em 2018. Serviços avançariam apenas 0,1% este ano, mas teriam expansão de 2,2% em 2018. O PIB agropecuário teria elevação de 12,5% em 2017, seguida por aumento de 3,5% em 2018.

O consumo das famílias deve subir 0,8% em 2017, para avançar 2,7% em 2018. O consumo do governo, porém, teria retração de 1,9% este ano, além de novo recuo de 0,2% em 2018. Quanto ao comércio exterior, a estimativa é de alta de 5,6% nas exportações em 2017 e avanço de 4,1% em 2018. As importações cresceriam 3,6% este ano e aumentariam 5,1% no ano que vem.

O diretor do Ipea lembra que a indústria e o comércio já mostram uma retomada, enquanto os serviços se recuperam paulatinamente. A agropecuária, que teve um salto importante no primeiro semestre, deixará de contribuir com a mesma força para os próximos resultados. A expectativa para o PIB do terceiro trimestre é de avanço de 0,4% em relação ao segundo trimestre do ano. Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, o PIB terá elevação de 1,2%.

"A gente mostra todos os indicadores melhorando, alguns mais lentamente, outros com mais força, mas há uma questão que ainda é muito complicada, que exige atenção, que é a questão fiscal. Tem um desajuste estrutural das contas públicas que é bastante claro", alertou Souza Júnior.

Souza Júnior defendeu que a aprovação da reforma da previdência é fundamental para o cumprimento do teto dos gastos nos próximos anos. Segundo ele, quanto mais a reforma for postergada, menor terá de ser o tempo de transição para o novo formato.

"É preciso que essa mudança previdenciária seja feita nos próximos anos. É importante que essas mudanças sejam feitas, não necessariamente agora, mas num futuro próximo. Obviamente que se forem feitas nos próximos meses, isso reduz o risco no ano que vem. O nível de risco altera as nossas projeções. Quanto maior o risco, menor o crescimento que a gente projeta. Se você reduzir o risco agora, você tende a ter como resposta mais crescimento no ano que vem. Nossa previsão tende a se alterar dependendo dessas mudanças e do tempo dessas mudanças", contou Souza Júnior.

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