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Cafeicultores do ES têm perda de R$ 3,5 bilhões

11:24 | 26/11/2016
O secretário de Agricultura do Espírito Santo, Octaciano Gomes de Souza Neto, afirmou ao Broadcast Agro, serviço de notícias do agronegócio da Agência Estado, que o Estado deixou de arrecadar R$ 3,5 bilhões nos dois últimos anos por causa da quebra de produção. Para ele, uma recuperação só deverá ser observada na região em 2019, mas até lá a importação da commodity continuará sendo um tabu entre os produtores, que temem a concorrência e prejuízos à cultura nacional, principalmente pela entrada de pragas e doenças.

Para o presidente da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé), João Lopes Araújo, a compra de café é viável somente com "condições para o produtor sobreviver". Conforme ele, entre essas "condições" estão a limitação da quantidade de produto importado, detalhes sobre a qualidade da commodity e também qual o nível de preço para comercialização interna.

"O conilon brasileiro não consegue concorrer com o do Vietnã. Temos de ter regras claras para não 'matar' o produtor nacional", afirmou, referindo-se ao país asiático que figura como maior produtor global desse tipo de café, com baixo custo de produção. Araújo também disse defender uma taxa de equalização para o café importado, e que o dinheiro arrecadado a partir daí seja direcionado ao "descapitalizado" Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé).

Preços. Historicamente, o conilon sempre foi negociado a preços inferiores aos do arábica, mais consumido pela população. Essa diferença se dá principalmente pelo maior rendimento por hectare e menor valor agregado do robusta. A maior parte do conilon é utilizada na produção de café solúvel, por conter quantidade maior de sólidos solúveis, proporcionando maior rendimento.

As indústrias no Brasil também costumam fazer a mistura dos dois cafés, o conilon e o arábica, harmonizando as características presentes nos dois, em um único blend, torrado e moído. Neste ano, o conilon saltou de R$ 380 por saca no começo de janeiro para mais de R$ 500 em alguns momentos do ano, segundo monitoramento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). Com isso, a diferença entre as cotações do robusta e do arábica diminuiu. Em outubro de 2015, por exemplo, o preço médio do arábica tipo 6, para exportação, superava o do conilon tipo 7 em 26,4%. Em igual mês deste ano, a diferença caiu para apenas 1,6%, e continua diminuindo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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