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BoJ define meta para juro de JGB de 10 anos como novo pilar de sua política

04:54 | 21/09/2016
O Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) tomou uma medida inesperada hoje, ao introduzir uma meta de 0% para o juro dos bônus do governo japonês (JGBs) de 10 anos, em nova tentativa de afastar o risco de deflação no país, após concluir uma ampla revisão de iniciativas anteriores que não atenderam as expectativas.

A adoção de uma meta de longo prazo, a primeira do tipo na história do BoJ, vem num momento em que grandes bancos centrais buscam formas de impulsionar a inflação, que também vem se mantendo abaixo do ideal na zona do euro, nos EUA e no Reino Unido.

O rendimento do JGB de 10 anos já vinha operando perto de 0% nas últimas semanas. Instantes antes do anúncio de política monetária do BoJ, o retorno do papel era de -0,06%. Na esteira da decisão, o juro do bônus avançou um pouco, para -0,03%.

A chamada "nova estrutura" do BoJ coloca a taxa de juros de 10 anos no centro de sua política, em contraste com a abordagem do BC japonês nos últimos três anos e meio, período em que as compras de ativos e a expansão da base monetária eram os principais instrumentos.

Na prática, a diferença poderá não ser tão grande assim, uma vez que o BoJ provavelmente manterá as compras de ativos em larga escala que tem feito, com o objetivo de guiar o juro de 10 anos para a meta de 0%.

Em coletiva de imprensa, o presidente do BoJ, Haruhiko Kuroda, disse que a nova meta torna mais fácil agir de forma flexível para atingir a meta de inflação, que é de 2%. Kuroda confirmou que o controle de juros dos bônus passará a ser o pilar central da estrutura de relaxamento monetário.

Numa mudança de retórica, o BoJ prometeu manter a expansão da base monetária até que a inflação "supere" ou se estabilize em 2%. Anteriormente, o BC japonês não mencionava a possibilidade de ultrapassar a meta de inflação.

Outras medidas do BoJ ficaram inalteradas. A taxa de depósitos continuou em -0,1%, nível em que se encontra desde fevereiro. Além disso, o BoJ manteve a meta de comprar até 80 trilhões de JGBs e 6 trilhões em fundos de índices de ações (ETFs) anualmente.

Ainda na coletiva, Kuroda comentou que a combinação de taxa negativa com compras de JGBs já havia mostrado eficácia em guiar a curva de juros para baixo e que julgou necessário enfatizar seu compromisso com a meta de inflação de 2%.

Segundo Kuroda, a meta de inflação permanece a mesma e o BoJ não hesitará em ajustar sua política para cumpri-la, se necessário.

Kuroda disse também que é possível que o BoJ venha a reduzir o volume de compra de JGBs, na tentativa de controlar a curva de juros, e reiterou não acreditar que os esforços de relaxamento monetário tenham atingido seu limite. Fonte: Dow Jones Newswires.

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