Caso Itaú: Fortaleza serviu de "laboratório" para as demissões em massa, diz sindicato
Segundo Sindicato dos Bancários do Ceará, em julho deste ano, 45 trabalhadores da empresa em Fortaleza e região metropolitana já teriam sido desligados sob mesmo argumento
O caso de demissão de cerca de mil funcionários do Itaú que trabalhavam em regime híbrido (uma parte de forma remota em casa e outra presencial) na última segunda-feira, dia 8, não está restrito a São Paulo.
Antes disso, pelo menos 45 funcionários que moram em Fortaleza e Região Metropolitana teriam sido desligados da empresa em julho deste ano sob a alegação de descumprimento de normativas internas, segundo o Sindicato dos Bancários do Ceará.
"Parece que Fortaleza foi o grande laboratório para eles tomarem essa decisão que aconteceu agora em São Paulo", comentou o diretor do Sindicato dos Bancários do Ceará, Alex Citó.
Alex citou que o número representa em torno de 10% dos funcionários em Fortaleza, sendo considerado no critério de demissão em massa.
Nos casos da capital cearense, o diretor também questiona a falta de transparência no procedimento.
"É uma demissão maldosa, a meu ver. É uma demissão que para um banco que diz que cuida das pessoas, que se preocupa com o futuro, tá dando para os seus funcionários uma postura totalmente inversa do que ele prega na mídia", acrescentou.
Ele citou ainda duas agências do Itaú que foram fechados na cidade, e uma terceira que já foi anunciado o fechamento para novembro.
"Infelizmente a gente entende que o banco que já vinha anunciando fechamento de agências, demissões, transferências, se aproveitou dessas ocasiões para fazer o que é mais interessante para eles, que é se livrar do número considerável de funcionários".
O sindicato chegou a protocolar uma denúncia formal junto ao Ministério Público do Trabalho da 7ª Região (MPT-CE). A denúncia incluía a situação de demissões repentinas sem qualquer comunicação prévia, seguindo a mesma dinâmica.
O processo segue em segredo de justiça, e sindicato acompanha o andamento.
O POVO procurou o Itaú para se manifestar sobre o caso específico de Fortaleza, mas até a publicação desta matéria não obteve retorno.
Entenda o caso das demissões no Itaú
Na última segunda-feira, dia 8, o banco Itaú demitiu cerca de mil funcionários sob alegação de uma suposta baixa produtividade no trabalho remoto, segundo o sindicato dos bancários.
Os colaboradores desligados trabalhavam em regime híbrido ou integralmente remoto, e faziam parte do Centro Tecnológico (CT), Centro Empresarial Itaú Conceição (CEIC) na Faria Lima, segundo informações do Sindicato dos Bancários de São Paulo.
O Itaú informou por meio de nota que as demissões foram realizadas após análise das condutas dos funcionários com relação ao "trabalho remoto e registro de jornada".
A empresa informou ainda que alguns casos foram identificados padrões incompatíveis aos "princípios de confiança" do banco, e que realizou a demissão por meio de um processo de "gestão responsável". Eles não deram mais detalhes sobre o ocorrido.
O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região (SEEB-SP) publicou nota em sequência, repudiando as demissões de funcionários realizadas pelo Itaú.
Conforme a entidade, as demissões em massa ocorreram mesmo em um contexto de "lucros bilionários". A SEEB-SP reforça que só no último semestre, a empresa obteve lucro superior a R$ 22,5 bilhões.
"O movimento sindical bancário não foi procurado para discutir alternativas de recolocação desses funcionários em outras áreas. O Sindicato seguirá cobrando do Itaú responsabilidade social, diálogo e compromisso com os trabalhadores e vai intensificar os protestos contra as demissões", conclui a nota.
Na terça-feira, 9, o SEEB-SP publicou nova nota cobrando transparência nas demissões de mais de mil pessoas: "O número excessivo de desligamentos, caracterizando demissão em massa, é desproporcional e injustificável diante da realidade".
Eles questionam que não ouve sequer uma advertência em relação à justificativa mencionada, sem possibilidade de defesa dos trabalhadores. Os funcionários chegaram a ser monitorados durante seis meses.
Dirigentes do Sindicato estiveram no CEIC e no CT para protestar contra a situação das demissões.
"Ainda mais grave é a forma como foi realizada esta demissão em massa. Sem qualquer diálogo prévio com os bancários ou com o Sindicato. Não existiu diálogo, os trabalhadores não foram advertidos e nem receberam qualquer feedback para que fizessem possíveis ajustes de conduta", disse o dirigente do Sindicato e bancário do Itaú, Maikon Azzi.
O sindicato exigiu que as vagas sejam repostas, pois os trabalhadores que permaneceram, estão "sobrecarregados".
Em reunião com representantes do banco, o sindicato cobrou repactuação das regras de teletrabalho, algo que já havia sido feita. Na quinta-feira, 11, o SEEB-SP ouvirá os funcionários desligados para definir novas mobilizações.
O banco Itaú segue realizando demissões recorrentes, nos últimos 12 meses, havia cortado 518 postos de trabalho, reduzindo o quadro para um pouco mais de 85 mil funcionários.
Veja a nota do Itaú na íntegra
“O Itaú Unibanco realizou hoje desligamentos decorrentes de uma revisão criteriosa de condutas relacionadas ao trabalho remoto e registro de jornada. Em alguns casos, foram identificados padrões incompatíveis com nossos princípios de confiança, que são inegociáveis para o banco. Essas decisões fazem parte de um processo de gestão responsável e têm como objetivo preservar nossa cultura e a relação de confiança que construímos com clientes, colaboradores e a sociedade.”
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