Banco Central deve reduzir juros básicos nesta quarta; entenda motivos
A expectativa do mercado é de que a redução varie entre 0,25 a 0,5 ponto percentual, levando a taxa selic a algo em torno de 13,25% a 13,50%
O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nesta terça e quarta-feira, 1º e 2, para definir o novo patamar dos juros básicos ao ano da economia brasileira, que estão parados em 13,75% desde agosto do ano passado.
A expectativa do mercado é de que a redução varie entre 0,25 a 0,5 ponto percentual, levando a taxa selic a algo em torno de 13,25% a 13,50%.
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A taxa de juros do Brasil tem sido motivo de acirramento na relação entre o Governo Federal e integrantes da autoridade monetária, sobretudo com o presidente Roberto Campos Neto, que foi indicado na gestão de Jair Bolsonaro e o primeiro a dirigir o Banco Central com autonomia operacional regulamentada.
No boletim focus divulgado nessa segunda-feira, 28, para o fim de 2023, a mediana para a taxa selic permaneceu em 12% ao fim do ano, mas houve baixa para os anos seguintes, ficando entre 9,5% para 9,25% no término de 2024, 9% para 8,75% no encerramento de 2025 e 8,63% para 8,50% no final de 2026.
De acordo com economistas consultados pelo O POVO, a redução acompanha a queda nos índices de inflação no Brasil e irá ajudar na contenção desses problemas, auxiliando a retomada do consumo e do investimento produtivo, essenciais para a retomada econômica.
O que dizem os economistas
De acordo com o economista Ricardo Eleutério, a elevação da taxa básica de juros, a selic, é o remédio amargo que os bancos centrais do Brasil e de outros lugares do mundo utilizam para conter a inflação, mas que uma taxa menor é mais saudável para a o desenvolvimento econômico.
"Com a queda ela diminui o custo do crédito para o consumo e para a produção, estimulando, portanto, a atividade econômica e a geração de empregos. Pode até contribuir para o dólar subir um pouquinho, porque os investimentos no país se tornam menos atrativos para o investidor estrangeiro, mas a demanda por essa queda nos juros tem sido considerável", disse.
Ricardo explicou também que o corte na taxa de juros brasileira deve estimular os investimentos em bolsa de valores, pois a renda fixa vai perder atratividade.
Para Alex Araújo, o aumento da selic corrigiu todas as taxas de operações de crédito no Brasil, mas também trouxe problemas para as famílias e empresas endividadas.
"Em Fortaleza a taxa de comprometimento da renda com o pagamento de dívidas bateu recorde, com 45% da renda mensal indo para o pagamento de dívidas, reduzindo o poder de compra e consumo. Nas empresas, reduziu-se o fluxo de investimentos e tivemos problemas com várias empresas do varejo", acrescentou.
O economista disse também que a disputa política entre o BC e o governo federal pode influenciar nas decisões do Copom. Além da fuga de dólares, também há um risco de defasagem entre os efeitos dos juros sobre a inflação.
Já para a professora de Ciências Econômicas e de finanças da Universidade Federal do Ceará (UFC) Sobral, Alessandra Benevides, o Banco Central está mostrando para a população que há um espaço para redução do juros efetivos cobrados no mercado.
"Com a inflação, que tem tido uma redução, não teria como sustentar uma taxa de juros tão alta. Então o mercado deveria estar precificando já todas essas todas essas variáveis que já estão ao longo do tempo sendo positivas para o Brasil", complementou.