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Fortaleza: aluguel é mais caro no Mucuripe e mais barato na Messejana

Pesquisa imobiliária sobre as ofertas de locação e venda de imóveis indicam cisma entre o valor pedido e o que o inquilino pode pagar
16:08 | Nov. 04, 2021
Autor Camila Garcia ESPECIAL PARA O POVO
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Tipo Notícia

Fortaleza possui o aluguel mais caro no bairro Mucuripe, a R$ 28,08 o metro quadrado (m²), e o mais barato na Messejana, a R$ 10,93. Os dados fazem parte do relatório de outubro da Apsa, empresa que gerencia imóveis.

Conforme o levantamento, em igual período do ano passado, Papicu liderava os melhores preços, mas perdeu a posição em 2021 após alta de 20,5% nos valores frente outubro de 2020, chegando a R$ 13,15 o m².

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Em Fortaleza, os imóveis mais procurados são apartamentos de dois ou três quartos, em condomínios considerados bem conservados, segundo a Apsa. E do maior ao menor valor por bairros, foi registrada variação de 61% no preço do metro quadrado.

Além disso, bairros nobres da Capital registraram percentuais discrepantes nos reajustes do m². A Aldeota apresentou decréscimo de 3,3%, enquanto o Meireles cresceu 4,2% no último ano. Já a Praia de Iracema teve o metro quadrado valorizado em 12,7%.

Sobre a alta de preços dos aluguéis, Micheline Aires, gerente de imóveis do Nordeste da Apsa, frisa que já era esperada. “O Índice Geral de Preços do Mercado IGP-M), que determina os ajustes nos aluguéis, está em um valor que eu jamais vivenciei, na faixa dos 30%. Antes da pandemia estava em oito, sete por cento, um valor mais realista.”

Cenário

Um dos indicadores utilizados no relatório da Apsa é o Índice de Velocidade de Locação (IVL), que calcula a variação no número de unidades alugadas em um período de tempo. De agosto a setembro de 2021, a rapidez da vazão de unidades disponíveis para o aluguel cresceu 150%

“O que está sendo pedido pelos proprietários é em face do cenário econômico brasileiro, então além do reajuste do valor do imóvel, existem também fatores externos, como a inflação. Antes da compra, a negociação entre contratante e contratado tenta trazer o valor para a realidade do poder aquisitivo atual”, completa Aires.

O vice-presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Ceará (Creci-CE), Rodrigo Costa, afirma que o mercado está voltando a se aquecer, mesmo não estando ainda em igual patamar de 2019. Apesar de aumentos nos valores dos aluguéis de 2020 para cá, os reajustes ficaram abaixo do esperado, de acordo com as projeções dos índices nacionais.

“O mercado imobiliário continua estável e em andamento, sobrevivendo aos aumentos. O ajuste dos aluguéis foi abaixo dos 30% indicados pelo IGP-M, por exemplo. Devemos encarar a situação como uma possibilidade de estabilização pós-pandemia.” Costa acredita que existe um equilíbrio entre as regulações de preços do mercado e a atividade do setor imobiliário.

O representante também indicou que, atualmente, os desejos de quem procura um imóvel na cidade estão se invertendo, sendo mais procurada os qualidade de vida e conforto, acima da localização.

“Antigamente se pagava muito caro para morar na Aldeota ou no Meireles, e hoje vemos o sucesso de loteamentos imobiliários como o Alphaville, no Eusébio. As pessoas passaram muito tempo dentro de casa de 2020 para cá, e perceberam a importância de morar com qualidade de vida”, complementa Costa.

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