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Economia
NOTÍCIA

Associações de caminhoneiros seguem divididas quanto à paralisação da categoria

Levantamento feito por O POVO junto a cinco entidades nacionais mostra que três são a favor e duas contra. Principal entidade no Ceará é contrária

19:53 | 23/07/2021
No último dia 14, caminhoneiros autônomos chegaram a bloquear a CE-155 que dá acesso ao Porto do Pecém, em protesto contra o preço dos combustíveis e as condições das rodovias (Foto: Whatsapp O POVO)
No último dia 14, caminhoneiros autônomos chegaram a bloquear a CE-155 que dá acesso ao Porto do Pecém, em protesto contra o preço dos combustíveis e as condições das rodovias (Foto: Whatsapp O POVO)

Prevista para acontecer a partir deste domingo, 25, com possibilidade de se estender pela segunda-feira, uma eventual paralisação nacional dos caminhoneiros segue dividindo as principais entidades que representam a categoria no País. A principal queixa da categoria, de um modo geral, são as altas recentes do valor do diesel.



O POVO enviou questionamentos às cinco mais representativas associações e confederações de caminhoneiros sobre o apoio ou não ao movimento. Embora, até o fechamento desta matéria apenas duas tenham respondido, o posicionamento das outras três, quanto à ‘greve’ da categoria está expresso em suas respectivas páginas na internet e nas redes sociais.

Estão contra a paralisação, a Confederação Nacional dos Trabalhadores Autônomos (CNTA) e a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam). Por outro lado, são favoráveis: o Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), que é a principal organizadora do movimento; a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) e a Associação Nacional de Transporte do Brasil (ANTB).

Entre as entidades que responderam diretamente à reportagem, o CNTRC afirmou em nota que “apoia e convoca a todos os caminhoneiros, autônomos e empregados, empresas transportadoras e solicita a todos os consumidores brasileiros à apoiarem e aderirem à pauta de reivindicações, em especial, no item de interesse comum de todos, em manifestação contra a política de preços sobre os combustíveis praticado pela Petrobras lesiva aos brasileiros”.

Já o presidente da ANTB, José Roberto Stringasci, limitou-se a dizer que passaria “algumas informações sobre o que está se passando” e enviou, por meio de mensagens de whatsapp, uma série de áudios, vídeos e notas de associações parceiras reforçando a adesão ao movimento com destaque para os caminhoneiros do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais e do Espírito, bem como da Baixada Santista, em São Paulo, e de Tabuleiro do Norte, no Ceará.

Em um dos vídeos enviados por Stringasci, aparece o secretário nacional de Políticas Sociais e Acessibilidade da CNTLL, Carlos Alberto Litti Dahmer, onde ele afirma que “a situação é insustentável. Não há mais possibilidade de rodar pelo País, por conta do preço do combustível. Então, a nossa entidade marcou a data de 25 de julho para um movimento muito forte contra a política de preços que está sendo realizada pela Petrobrás. De 40% a 60% do valor do frete é gasto em diesel.”

Já a CNTA informou ontem à imprensa de um modo geral, que "a prerrogativa e legalidade de se realizar uma paralisação é um direito do caminhoneiro e formalizada através de assembleia nos sindicatos. Até o presente momento não temos conhecimento de tal iniciativa por parte de sindicatos ligados ao sistema da nossa Confederação".

Uma das entidades ligadas à CNTA é, justamente o Sindicato dos Caminhoneiros do Ceará (Sindicam-CE), que já havia adiantado ao O POVO, no último dia 15, sua posição contrária a uma ‘greve’. No último dia 14, caminhoneiros autônomos chegaram a bloquear a CE-155 que dá acesso ao Porto do Pecém, em protesto contra o preço dos combustíveis e as condições das rodovias.

Por fim, a Abcam publicou nota em seu site informando que “não possui qualquer negociação com qualquer sindicato que seja, muito menos participação na organização de uma possível paralisação”. Eles acrescentam no comunicado, que “por ora, não nos posicionaremos, pois ainda estamos lidando com o ônus judicial gerado pela paralisação de 2012, em São Paulo e a paralisação nacional de 2018”.