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Economia
NOTÍCIA

Brasil se tornará Venezuela em um ano e meio se continuar errando na política econômica, afirma Guedes

Argumento foi utilizado pelo ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes, para defender uma agenda econômica mais liberal

Alan Magno
12:02 | 02/03/2021
Ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes, critica política economia brasileira e afirma de país se "tornará uma Venezuela" em um ano e meio se nada for feito (Foto: EDU ANDRADE/Ascom/ME)
Ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes, critica política economia brasileira e afirma de país se "tornará uma Venezuela" em um ano e meio se nada for feito (Foto: EDU ANDRADE/Ascom/ME)

Responsável pelas estratégias econômicas do País, o ministro Paulo Guedes pontuou que o Brasil está se encaminhando para uma realidade similar à Venezuela. Ele culpou o aumento da dívida pública e o que chamou de uma sequência de decisões erradas na política econômica e financeira brasileira.

As declarações ocorreram em entrevista cedida ao podcast “Primocast” veiculada nesta terça-feira, 2. Em sua fala, Guedes defende uma agenda política neoliberal, ponderando que somente nesta ideológica será possível abrir um “caminho de prosperidade” para o Brasil.

“Para virar a Argentina, seis meses; para virar Venezuela, um ano e meio. Se fizer errado, vai rápido. Agora, quer virar Alemanha, Estados Unidos? Dez, quinze anos na outra direção", pontuou o ministro defendendo alterações na estrutura econômica brasileira. Guedes definiu um Brasil com “muito investimento, emprego, renda, Bolsa subindo, todo mundo ganhando, estourando champanhe” ao idealizar uma política econômica totalmente liberal.

Em sua fala, Guedes defendeu ainda a dinâmica de privatizações e criticou o uso de estatais para financiamento de campanhas políticas e o emprego da máquina pública em benefício próprio de seus gestores. A fala em tom ácido ocorre dias após a Petrobras perder mais de R$ 110 milhões em ações em decorrência da interferência direta do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), ao empossar o general Joaquim Silva e Luna como gestor geral da companhia.

Ainda que não tenha citado o nome de Bolsonaro ou feito críticas diretas ao presidente, Guedes reprovou o argumento utilizado pelo presidente de que o petróleo nas refinarias nacionais sempre será brasileiro, independente da venda dos direitos de exploração destes. "É nosso? Então dá para a gente. Vamos dar para o povo brasileiro. Vamos pegar os dividendos da Petrobras e entregar uma parte para o povo brasileiro".

Em outro momento, Guedes pontuou: “o que não pode é ficar dando prejuízo para eles [brasileiros]”, um dia após o quinto reajuste nos combustíveis feito pela Petrobras em cerca de 60 dias. Por fim, o ministro pontuou que pretende seguir no cargo até o fim do mandato, frisando ter a confiança de Bolsonaro a seu lado e a crença de que está trabalhando para melhorar o País.

Guedes destacou, porém, que caso não sinta mais confiança no presidente ou que se veja “empurrando o Brasil na direção errada”, ou seja, longe da ótica liberal, abandonaria o cargo.