PUBLICIDADE
Economia
NOTÍCIA

Taxar ricos para financiar política social pode aumentar o PIB em 2,4%

O cálculo é de um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made-USP) que mostra o efeito que diferentes tipos de programas de redistribuição podem ter sobre o PIB e a geração de renda na economia.

Irna Cavalcante
10:26 | 15/02/2021
Beneficiários sacando o Bolsa Família na agência da Caixa Econômica, em Sobradinho. Brasília/DF 30/05/2017. Foto: Rafael Zart/ASCOM/MDSA (Foto: Rafael Lampert Zart)
Beneficiários sacando o Bolsa Família na agência da Caixa Econômica, em Sobradinho. Brasília/DF 30/05/2017. Foto: Rafael Zart/ASCOM/MDSA (Foto: Rafael Lampert Zart)

Elevar a tributação sobre os mais ricos para transferir renda aos mais pobres além de contribuir para redução da desigualdade social, pode aumentar o Produto Interno Bruto em até 2,4%. É o que aponta um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made-USP) que analisa o efeito que diferentes tipos de programas de redistribuição podem ter sobre o PIB e a geração de renda na economia.

As informações são da BBC News.  De acordo com a publicação, a pesquisa mostrou que uma política de proteção social financiada a partir da tributação do 1% mais rico, que garanta a transferência de R$ 125 por mês para os 30% mais pobres, pode ter um impacto positivo de 2,4% no PIB.

"A redução da desigualdade tem benefícios em si. Sabemos que ela tem custos que não só têm a ver com o direito à renda e à dignidade humana, mas tem também efeitos políticos, pois a desigualdade tende a criar distorções no próprio sistema democrático", diz Laura Carvalho, professora da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo).

Ela destaca no estudo, que assina junto aos pesquisadores Rodrigo Toneto e Theo Ribas, que esse resultado mostra que há um falso dilema entre crescimento econômico e distribuição de riqueza. "Isso cada vez mais está se revelando uma coisa que não tem sustentação empírica, por isso resolvemos demonstrar com dados um dos mecanismos que mostra que é perfeitamente possível desenhar um programa que combine redução da desigualdade com aumento do ritmo de crescimento econômico. Porque esses objetivos não são contraditórios".

E a lógica por detrás disso está no princípio 'multiplicador do orçamento equilibrado'. Segundo ela, ao aumentar a arrecadação via tributação da renda no topo e usar esses recursos para transferir renda para a base, o Governo, sem nenhum impacto no Orçamento, conseguirá ter crescimento econômico porque quem está na base da pirâmide tende a consumir mais. “Enquanto os mais ricos poupam relativamente mais da sua renda do que os mais pobres".

Os dados da POF do IBGE (Pesquisa de Orçamentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2017-2018, mostram que, enquanto os 10% mais pobres gastam 87% da sua renda em consumo, esse valor cai para 24% entre os que compõem o 1% mais rico.

Com base nessas informações e levando em conta a atual estrutura de distribuição de renda da economia brasileira, os economistas concluíram que, cada R$ 100 transferidos do 1% mais rico para os 30% mais pobres geram uma expansão de R$ 106,70 na economia.

No caso do auxílio emergencial de 2020, cada R$ 100 pagos por meio do programa têm um efeito de aumento da renda agregada de R$140, calculam os pesquisadores.

"No caso do auxílio, o efeito multiplicador é maior pois o volume de recursos destinado a essa política foi muito elevado. Foi um programa emergencial, mas muito amplo, com pouco mais de 4% do PIB de 2020 destinado a essa política de transferência de renda", observa Carvalho.

Por fim, os pesquisadores analisam uma política social financiada a partir de tributos cobrados dos 1% mais ricos e que garanta R$ 125 mensais para os 30% mais pobres.

"A política que estamos testando como permanente é menor do que o auxílio emergencial. É pensada como uma política que possa ser financiada todo ano, algo que possa ser sustentável", diz a professora da USP.