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Economia
NOTÍCIA

Black Friday pode ser bom momento para testar Pix e pequenos comércios devem aproveitar

Analista do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) acredita que lançamento do sistema próximo às vendas de fim de ano pode impulsionar o comércio, mas é preciso saber se Pix vai mesmo "pegar" entre os brasileiros

13:25 | 12/11/2020
Nova modalidade pode ser usada a qualquer dia e hora para pagamentos e transferências (Foto: Divulgação/Banco Central)
Nova modalidade pode ser usada a qualquer dia e hora para pagamentos e transferências (Foto: Divulgação/Banco Central)

O novo sistema de pagamentos e transferências instantâneas, chamado de Pix, começa a operar no dia 16 deste mês. Ele é gratuito para pessoas físicas e vai funcionar de forma parecida com as transferências DOC e TED. A vantagem é que permitirá um acesso mais simples do que os serviços que existem até agora e garante transferências e pagamentos gratuitos - o que deve facilitar a vida de brasileiros nesses tempos de pandemia.

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Outra diferença fundamental é que o dinheiro passa do pagador ao recebedor de forma praticamente imediata. O sistema não tem restrições, podendo ser acessado a qualquer hora ou dia da semana. Essas facilidades do sistema, somadas ao período de fim de ano, incluindo a Black Friday, podem impulsionar o crescimento de pequenos negócios a nível nacional e regional. No entanto, especialistas afirmam: é preciso saber se o sistema vai mesmo "pegar" entre os consumidores e a Black Friday, que acontece no dia 27 de novembro, pode ser um momento perfeito para testar nova estratégia digital.

É o que alerta o analista de políticas públicas do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), Daniel Suliano. O economista tem uma boa expectativa com o Pix, principalmente por ser um sistema de pagamento instantâneo, que é resultado de uma transformação digital relativamente rápida no mundo. Se antes as compras só podiam ser feitas de forma física, hoje é fácil pedir seus produtos até mesmo de casa.

A facilidade agora também acontece na hora de realizar o pagamento - o que Daniel considera ser a "cereja do bolo". "É uma transação imediata. Tem o DOC, que tem que esperar 24 horas, e o TED, que é instantâneo, mas os bancos cobram taxas altas. O casamento das duas coisas no Pix (gratuito e imediato) tende a potencializar pequenos comércios", afirma Suliano.

E isso acontece, na opinião do analista, porque os grandes comércios já têm acesso a todos os tipos de modalidades financeiras com maior facilidade, já os menores podem ganhar com as facilidades do Pix pela. "É um mês de testes. A gente vai ver se a modalidade vai engrenar. Acho que foi proposital do Banco Central ter colocado nesse mês de novembro. Esses dois últimos meses do ano têm vendas altas", acrescenta Daniel Suliano.

Ainda assim, o analista pede calma aos comerciantes. As mudanças no comércio costumam acontecer de forma gradual, aos poucos. É o exemplo do cheque, que ainda existe, mas é pouco utilizado e foi saindo de cena paulatinamente. Ainda conforme Daniel, mesmo com a inflação alta nesse período de pandemia, o fim de ano pode projetar um bom volume de vendas. "Mas isso em compras, não nos serviços, que ainda estão restritos por causa da pandemia", pondera.

Mais movimentação no comércio

 

A economista Alesandra Benevides acredita que a Black Friday vai trazer uma movimentação maior no comércio, mesmo nesse contexto de Covid-19. Ela alerta que por ser um instrumento novo, o Pix pode ainda não trazer os resultados esperados para pequenos negócios. "Muitas pessoas ainda têm suas desconfianças. Eu não sei se o Pix vai fazer tanta diferença ainda em novembro. Não vai ter um impacto decisivo", pondera Alesandra.

Para a especialista, preços competitivos podem fazer diferença para os pequenos comércios. Por isso, é importante ter promoções reais e preços que consigam competir no mercado. "Tem que divulgar seu negócio, seus produtos, investir em propagadas nas redes sociais. É uma boa estratégia, porque as pessoas ainda estão em casa e vão comparar os preços via Internet", afirma Alesandra. Na opinião da economista, o Pix pode facilitar as transações, mas os resultados serão sentidos mais a longo prazo.

Alesandra acredita que o Pix será bastante utilizado, assim que consumidores perderem a insegurança e perceberem que o sistema do BC é confiável. "As pessoas vão se acostumar, entender direitinho como ele funciona na prática", complementa. Na opinião da economista, o Pix é ainda melhor para pequenos negócios, que passam a receber o dinheiro de forma imediata e sem taxas, que é o que acontece quando utilizam maquinetas de cartão de débito e crédito. "Se o comerciante aproveitar esse momento de Pix para repassar esse desconto para o preço pode ser uma vantagem comparativa em relação a outros comerciantes que não usam", finaliza a especialista.

Entenda mais sobre o PIX

 

Instantâneo

As transações feitas pelo sistema serão compensadas instantaneamente. Apenas nos casos em que houver suspeita de fraude, os pagamentos ou transferências podem demorar até 30 minutos para serem verificados. As transações podem ser feitas pelos aplicativos de bancos e de pagamentos para telefone celular ou pelo internet banking em computadores.

Chaves

O Pix também ganha velocidade porque não é necessário informar todos os dados do beneficiário. Os usuários do serviço podem cadastrar de uma até cinco chaves associadas a uma conta bancária. Com a chave é possível localizar o destinatário do pagamento sem outros dados de identificação.

Poderão ser usados como chave o CPF, o CNPJ, o número do celular, o endereço de correio eletrônico (e-mail) ou um código de 32 dígitos gerado especificamente para o Pix (EVP). Basta informar a chave do beneficiário para que o sistema localize o recebedor do pagamento e realize a transação. No caso de não ter uma chave, o usuário precisará repassar os dados bancários ao outro envolvido na transação.

O código EVP permite receber pagamentos sem informar nenhum dado pessoal, sendo um código com letras e números criado especificamente para as transações por meio do Pix. O código aleatório vai possibilitar ainda a geração de códigos de barra do tipo QR Code, que podem ser lidos por câmera de celular para fazer pagamentos. Os códigos podem ser fixos, com um mesmo valor de venda (em locais de preço único), ou variáveis, criados para cada venda.

Quem pode oferecer

Os usuários podem cadastrar as chaves fazendo contato com as instituições com as quais têm relacionamento. Estão aptos a fazer transações pelo Pix bancos, instituições financeiras e plataformas de pagamento.

Limites

Os valores que poderão ser transacionados pelo novo sistema vão variar de acordo com o perfil de cada cliente, do mesmo modo que com outros serviços bancários. Os limites variam de no mínimo, segundo a regulamentação do Banco Central, 50% do valor das transferências tipo TED até o valor autorizado para compras em débito.

Os limites vão variar de acordo com o dia da semana e o horário em que for utilizado o serviço. O Pix vai funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana. As transferências e pagamentos também podem ser agendadas, da mesma forma que acontece com o DOC e a TED.

Tarifas

O Pix é gratuito para transferências ou recebimento por pessoas físicas. Poderão ser cobradas tarifas caso o sistema seja usado como meio de recebimento para vendas de produtos ou serviços. As instituições podem ainda tarifar o uso presencial ou por telefone do sistema.

As instituições são livres para tarifar os usuários pessoas jurídicas (empresas).

Início

O sistema vai entrar em operação, em fase experimental, a partir do dia 3 de novembro. Nessa etapa, vai funcionar apenas para um número reduzido de clientes e em horário limitado. Ainda não foram definidos os critérios que vão determinar como serão escolhidos os usuários nessa fase experimental.

O sistema será aberto para toda a população a partir de 16 de novembro.

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