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Economia
NOTÍCIA

Pela primeira vez em sete anos, menos da metade da população em idade para trabalhar está empregada

Brasil perdeu 7,8 milhões de postos de trabalho, uma queda de 8,3% em relação ao trimestre anterior

10:50 | 30/06/2020
FORTALEZA, CE, BRASIL, 29.06.2020: Fila para resgate emergencial do FGTS em frente à Caixa Econômica da avenida Bezerra de Menezes, no dia 29 de junho. (Foto: Thaís Mesquita)
FORTALEZA, CE, BRASIL, 29.06.2020: Fila para resgate emergencial do FGTS em frente à Caixa Econômica da avenida Bezerra de Menezes, no dia 29 de junho. (Foto: Thaís Mesquita)

 

A taxa de desemprego no Brasil passou de 11,6%, no trimestre até fevereiro, para 12,9% no trimestre terminado em maio, atingindo 12,7 milhões de pessoas. No mesmo período, o percentual de brasileiros empregados na população em idade de trabalhar chegou a 49,5%, queda de cinco pontos percentuais em relação ao trimestre anterior. Esse é o mais baixo nível da ocupação desde o início da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), em 2012.

Os dados da pesquisa foram divulgados nesta terça-feira, 30, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A análise também mostrou que são mais 368 mil brasileiros à procura de trabalho em relação ao trimestre anterior. O País perdeu 7,8 milhões de postos de trabalho, uma queda de 8,3%.

Pela primeira vez na série histórica da PNAD Contínua, o nível da ocupação ficou abaixo de 50%. Isso significa que menos da metade da população em idade de trabalhar está trabalhando, conforme explica a analista da pesquisa, Adriana Beringuy. São 85,9 milhões de pessoas ocupadas.

Trabalhadores informais

A redução do índice de trabalhadores informais também é inédita na pesquisa. Da queda de 7,8 milhões de pessoas ocupadas, 5,8 milhões eram informais.

Os trabalhadores informais agregam os profissionais sem carteira assinada (empregados do setor privado e trabalhadores domésticos), sem CNPJ (empregadores e por conta própria) e sem remuneração. O número de empregados no setor privado sem carteira assinada caiu 20,8%, significando 2,4 milhões a menos no mercado de trabalho.

Enquanto isso, os trabalhadores por conta própria diminuíram em 8,4%, ou seja, 2,1 milhões de pessoas. Desse modo, a taxa de informalidade caiu de 40,6% para 37,6%, a menor desde 2016, quando o indicador passou a ser produzido.

Segundo analisa a pesquisadora, a queda numérica da informalidade não é necessariamente um bom sinal. Isso porque as pessoas estão perdendo sua ocupação e não estão se inserindo em outro emprego.

Beringuy pondera ainda que, com a redução no número de trabalhadores informais, grupo que geralmente ganha remunerações menores, o rendimento médio habitual teve aumento de 3,6%, chegando a R$ 2.460, o maior desde o início da série. Já a massa de rendimento real foi estimada em R$ 206,6 bilhões, uma queda de 5% frente ao trimestre anterior.

Trabalhadores domésticos

O número de trabalhadores domésticos, estimado em 5 milhões de pessoas, teve uma queda de 18,9% em relação ao trimestre encerrado em fevereiro. São 1,2 milhão de trabalhadores a menos no mercado de trabalho.

O contingente de empregados no setor privado com carteira assinada (sem contar os trabalhadores domésticos) teve uma queda de 7,5%, ou seja, menos 2,5 milhões de pessoas no mercado, totalizando 31,1 milhões e atingindo o menor nível da série.

Com essas reduções, o contingente na força de trabalho (pessoas ocupadas e desocupadas) chegou a 98,6 milhões de pessoas, uma queda de 7,4 milhões (-7%) em relação ao trimestre encerrado em fevereiro.

Parte da população fora da força de trabalho é formada por pessoas que até gostariam de trabalhar, mas que não estão conseguindo se inserir no mercado, muito provavelmente em função do cenário econômico, das dificuldades em encontrar emprego, seja devido ao isolamento social, seja porque o consumo das famílias está baixo e as empresas também não estão contratando. Para Beringuy, o mês de maio aprofunda tudo o que já estava sendo visto em abril.

Comércio perde dois milhões de pessoas ocupadas

O único grupamento de atividade que teve aumento em relação ao trimestre encerrado em fevereiro foi o de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, que cresceu 4,6% no período. Isso significa um aumento de 748 mil pessoas no setor.

Entre os outros grupamentos de atividade, o que apresentou a maior queda em relação ao número de pessoas ocupadas foi o comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (-11,1%), com menos 2 milhões de empregados. A indústria, por sua vez, perdeu 1,2 milhão de pessoas (-10,1%) e a Construção, 1,1 milhão (-16,4%).