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Economia
NOTÍCIA

Região econômica de Fortaleza tem o menor PIB per capita do Brasil

No Ceará, moradores precisam se deslocar, em média, 126 quilômetros para ter acesso a serviços de saúde de alta complexidade

Leonardo Maia
10:59 | 25/06/2020
Movimentação no Centro, um dos principais corredores comerciais da Capital, está sendo retomada seguindo plano de reabertura econômica. (Foto: Thais Mesquita/O POVO)
Movimentação no Centro, um dos principais corredores comerciais da Capital, está sendo retomada seguindo plano de reabertura econômica. (Foto: Thais Mesquita/O POVO)

A região ligada economicamente à Fortaleza tem o menor PIB per capita do Brasil, com R$ 13.500 anuais, segundo dados de 2018 de pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na manhã desta quinta-feira, 25. A rede se caracteriza, além de cidades cearenses, por municípios de outros cinco estados: Piauí, Maranhão, Pernambuco, Tocantins e Pará. No total, 630 municípios compõem a área.

A estatística faz parte da pesquisa Regiões de Influência das Cidades (Regic), que tem como propósito identificar e analisar a rede urbana brasileira, estabelecendo a hierarquia dos centros urbanos e as regiões de influência das cidades. Para isso, pesquisadores aplicam questionários para saber para onde os moradores de cada cidade se deslocam para ter acesso a bens e serviços.

Com realização a cada década, a pesquisa pode auxiliar a implementação de políticas públicas e a instalação de filiais de empresas do setor privado, por exemplo. No contexto da pandemia do novo coronavírus, os dados foram usados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para realizar um diagnóstico territorial do avanço da Covid-19.

A rede se caracteriza, além de cidades cearenses, por municípios de outros cinco estados.
A rede se caracteriza, além de cidades cearenses, por municípios de outros cinco estados. (Foto: Reprodução/IBGE)

No Ceará, a dinâmica econômica não teve alterações significativas desde a última edição da pesquisa, realizada em 2007. 85% das cidades não tiveram sua hierarquia alterada, o que indica estabilidade geral da rede urbana, de acordo com o IBGE. Houve 18 cidades com aumento do nível hierárquico, enquanto oito cidades apresentaram queda no nível, correspondendo a um saldo positivo no aumento de centralidades intermediárias.

O maior destaque foi registrado no Arranjo Populacional de Juazeiro do Norte, que além desse município, inclui as cidades de Crato e Barbalha. A região saltou um nível na hierarquia dos centros urbanos e passou a receber mais moradores de municípios vizinhos.

O gerente de Redes e Fluxos Geográficos do IBGE, Bruno Hidalgo, ressaltou que esse é um reflexo da dinamicidade da economia do Ceará, que não centraliza todos os serviços na Capital e conta com localidades intermediárias. “A região de influência de Juazeiro de Norte aumentou, passando a subordinar mais cidades, principalmente em Pernambuco”, destacou o especialista.

Por outro lado, centros urbanos intermediários, como Quixadá e Crateús, perderam espaço para a Capital. Moradores de várias cidades passaram a recorrer mais à Fortaleza do que a cidades de médio porte para ter acesso a bens e serviços. Fora do Estado, Fortaleza passou a ter menos influência sobre os moradores do Rio Grande do Norte e maior alcance no Pernambuco, devido à conexão com Juazeiro do Norte.

Desertos de notícias

Em média, moradores do Ceará precisam se deslocar 82 quilômetros para ter acesso a bens e serviços. O valor é cerca de 30% menor que a média nacional, de 107 quilômetros. O serviço mais inacessível para a população do Estado é a compra de jornais — é necessário se deslocar 171 quilômetros para ter acesso a esse bem.

De acordo com levantamento feito pelo Atlas da Notícia em 2018, cerca de 57% dos municípios cearenses não possuem nenhum veículo jornalístico. Para a estatística, a instituição não considera mídias institucionais e estatais, tais como canais de TV de prefeituras, assembleias legislativas, publicações sindicais ou de associações. Além disso, apenas 25 municípios do Estado têm mais de dois veículos jornalísticos.

Os cearenses também precisam se deslocar consideravelmente para ter acesso a serviços de saúde de alta complexidade: 126 quilômetros. Em 2019, também conforme pesquisa do IBGE, 5% dos municípios cearenses tinham leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

Diante da pandemia do novo coronavírus, a administração pública tem trabalhado na ampliação de leitos de UTI. De acordo com nota enviada pela Secretária de Saúde do Estado do Ceará (Sesa) em nesta manhã, pelo menos 302 novos leitos de UTI foram construídos no interior do Estado, desde a data do levantamento feito pelo IBGE.