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Economia
NOTÍCIA

Entidades do Sistema "S" buscam fortalecer serviços e aprendizagem em conjunto no CE

Em meio à ameaças de cortes de repasses públicos, entidades do comércio, serviços, turismo, indústria, transportes, agricultura e cooperativismo buscam interiorizar o desenvolvimento com ações em conjunto

SAMUEL PIMENTEL
18:55 | 18/11/2019
REPRESENTANTES DO SISTEMA S anunciaram o projeto de expandir os serviços em conjunto entre as entidades. (Foto: Divulgação / Fiec)
REPRESENTANTES DO SISTEMA S anunciaram o projeto de expandir os serviços em conjunto entre as entidades. (Foto: Divulgação / Fiec) (Foto: Fiec / Divulgação)

Em evento realizado nesta segunda-feira, 18, no Senac Reference, na Aldeota, os representantes das entidades que formam o Sistema "S" no Estado receberam os deputados da bancada cearense na Câmara Federal para expôr os dados relativos à quantidade de pessoas atendidas pelas instituições. A intenção é munir os políticos de embasamento pela defesa dos recursos das instituições.

Com instituições atuando na indústria, comércio, serviços e turismo, agricultura, cooperativismo, transportes e pequenos negócios, com base em dados de 2018, foi destacado que o Sistema "S" atendeu 1.877.257 pessoas, destas: 209.127 foram qualificadas nos cursos e outros 134.659 empresários e empresas foram atendidas. A atuação das entidades ainda gerou mais de 1,057 milhão de empregos e participação de 72,2% na criação de vagas junto às 85.556 empresas coligadas.

Os entes que fazem parte do Sistema "S" são privados e administrados por federações e confederações patronais, que são voltados ao treinamento profissional, assistência social, consultoria, pesquisa e assistência técnica. Mas que são mantidas por contribuições estipuladas em lei e que usam de recursos públicos.

A reunião, em parte foi motivada pelo risco de corte de recursos oriundos de contribuições de empresas e folha. O ministro Paulo Guedes já afirmou que o Governo vai "passar a faca" no sistema e, desde agosto, passou a valer as regras de um Decreto assinado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), que obriga as empresas do Sistema "S" a detalhar suas contas na internet, assim como o setor público. Guedes chegou a dizer que existem estudos que poderiam causar redução de 50% nos repasses.

De acordo com o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), Maurício Filizola, que mantém o Serviço Social do Comércio (Sesc) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), a importância desses serviços para a população não pode ser desprezada. "Estamos unidos para a defesa do Sistema "S" e execução de serviços prestados à sociedade de maneira conjunta", aponta.

"Tenho três vertentes que pretendo instaurar no curto prazo: interiorização maior do atendimento à indústria, montar uma estrutura na federação para o mercado exterior para importações e exportações, além do investimento em inteligência artificial", revela o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e do Sesi e do Senai, Ricardo Cavalcante.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Flávio Saboya, afirmou que os atuais recursos que estão à disposição já são deficitários, sobrando projetos e faltando verbas. Ele conta que, anualmente, são mais de 20 mil produtores assistidos pelo Senar.

O diretor técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Ceará (Sebrae-CE), Alci Porto, comentou que o Sistema "S", desde que foi fundado, após a Segunda Guerra Mundial, contribuiu para o desenvolvimento do Estado. "Tudo isso é preciso que os parlamentares entendam e preservem o Sistema S, num momento em que no Congresso existe proposta até de diminuição na atuação dessas entidades".

Alci Porto ainda destacou que a operação em conjunto dos entes vai ajudar a distribuir melhor a riqueza no Ceará, já que, relata o diretor do Sebrae, aproximadamente 70% da economia do Estado está concentrada na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), enquanto as regiões do Interior estão subaproveitadas.

"Considero inadmissível querer reduzir os recursos para um segmento consolidado no âmbito da educação profissional, na formação de trabalhadores para todos os segmentos da economia, esvaziando uma estrutura que vem dando certo", ressalta o deputado federal e líder do PDT na Câmara, André Figueiredo.