PUBLICIDADE
Economia
NOTÍCIA

Taxa de sobrevivência das empresas cresce no Ceará

| Pesquisa do IBGE | O percentual, que em 2008 era de 75,6%, subiu para 83,3% em 2017, segundo o IBGE. No Estado, são 128.754 empresas ativas, responsáveis por 944 mil empregos.

Irna Cavalcante
14:28 | 17/10/2019
O comércio foi um dos setores que mais empregaram no Ceará em 2017
O comércio foi um dos setores que mais empregaram no Ceará em 2017 (Foto: OPOVO.DOC)

Mesmo com a forte recessão da economia brasileira, que teve seu auge entre os anos de 2015 e 2017, cresceu a taxa de sobrevivência das empresas no Ceará nos últimos nove anos. O percentual, que em 2008 era de 75,6%, subiu para 83,3% em 2017. É o que mostra a pesquisa Demografia das Empresas e Empreendedorismo 2017, divulgada nesta quinta-feira, 17, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ainda assim, o número de empresas formais que fecharam as portas em 2017, 22,5 mil, foi bem superior ao total que foi iniciado (21,4 mil), gerando um saldo negativo de 1.079 negócios a menos. O Ceará fechou o ano com 128.754 empresas ativas, que eram responsáveis por 944 mil empregos.

Na avaliação do economista Alex Araújo dois fatores principais contribuíram para este movimento. O primeiro são as próprias mudanças na legislação brasileira, como a criação da figura do Microempreendedor Individual (MEI) e as inovações feitas no Simples Nacional, que fortaleceram o ambiente de negócios no Brasil neste período entre 2008 e 2017, o que explica o aumento na taxa de sobrevivência das empresas. E o outro fator é que em 2017 o período mais crítico da crise já começava a dar sinais de esgarçamento. “A depuração mais forte das empresas ocorreu nos anos de 2015 e 2016”.

Em 2017, do total de pessoas ocupadas no Estado, 96% estavam nas empresas sobreviventes; 3,9% nas entrantes; e 1,7% nas que saíram do mercado. Setorialmente, comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas foram os segmentos que mais empregaram no período (29,4%). Por outro lado, foram nessas mesmas áreas que também se observou a maior proporção de saída de trabalhadores (30,4%), seguida da indústria de transformação (17,5%).

Das 128,7 mil empresas ativas no Ceará, apenas 1.453 são classificadas como de alto crescimento pelo IBGE, o equivalente a 1,1%. Ou seja, são negócios que tiveram um avanço médio do pessoal ocupado assalariado de, no mínimo, 20% ao ano por um período de três anos e têm dez ou mais pessoas ocupadas assalariadas no ano inicial de observação. Esse nicho foi responsável por 9,5% das empresas com pessoas ocupadas assalariadas.

Já as empresas gazelas, que são aquelas de alto crescimento formado por negócios mais jovens, com faixa de idade entre três e cinco anos no ano de referência, não passaram de 0,1% das empresas ativas no Ceará.

No comparativo com 2008, o Estado tinha 606 empresas ativas a menos. O contingente de assalariados era de 678 mil trabalhadores. Entre o número de unidades locais no Nordeste, o Ceará ocupa a segunda posição em quantidade empresas ativas e de saída, mesmo lugar ocupado em 2008. Mas caiu de segundo para terceiro lugar na Região quando se trata de novas empresas que entram no mercado.

A pesquisa do IBGE mostrou que, no Brasil, em 2017, existiam 4.458.678 empresas, com 38,4 milhões de pessoas ocupadas, sendo 31,9 milhões na condição de assalariadas e 6,5 milhões de sócios ou proprietários. A taxa de sobrevivência das empresas ativas foi de 84,8% em 2017, o que representa 3,8 milhões de empresas. Já a taxa de entrada ficou em 15,2% e a de saída, 15,7%. 

O Sul (86,6%) e o Sudeste (85,0%) registraram as maiores taxas de sobrevivência, enquanto as maiores taxas de entrada e saída foram observadas nas regiões Norte (19,0% e 18,8%), Centro-Oeste (17,2% e 16,4%) e Nordeste (16,9% e 16,9%).

Alex Araújo acredita que na medida em que o processo de retomada da economia voltar a engrenar é possível que o País observe uma redução da taxa de sobrevivência das empresas, já que um número maior de pessoas que estão fora do mercado de trabalho deve apostar na abertura de um novo negócio. “E nem sempre isso é feito de forma consistente”.

| LEIA TAMBÉM | Brasil perdeu 316.680 empresas em 4 anos de saldos negativos, diz IBGE