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Economia
NOTÍCIA

O segredos nas entrelinhas dos balanços

10:52 | 09/08/2019
Entrevista: Virginia de Oliveira, professora da Fundação Dom Cabral
Em que o investidor deve prestar mais atenção nesse período?
Entrevista: Virginia de Oliveira, professora da Fundação Dom Cabral
As pessoas em geral olham a receita e o lucro, mas é preciso saber de onde veio essa receita. Se é operacional ou se veio da venda de algum ativo da empresa. Quando é venda de ativos, não é recorrente, não tem sustentação para o futuro. O investidor também precisa comparar como a empresa estava antes e como está agora. Ela pode ter lucro e não ser capaz de pagar o capital empregado no negócio.
Como isso pode acontecer?
Para funcionar, a empresa assume dívidas com acionistas, bancos e outras instituições. Nem sempre o lucro é suficiente para remunerar esse capital e o investidor precisa ver qual é a estratégia do futuro. A dívida é boa até certo ponto, mas não acima do que o mercado assimila.
O que é uma dívida acima do que o mercado assimila?
Com mais de 70% de dívida em relação à receita, o mercado já olha a empresa mais receoso. Talvez a empresa esteja habituada àquele nível de endividamento. De qualquer modo, é preciso avaliar se o endividamento cresceu rapidamente.
Como selecionar as empresas para fazer esse acompanhamento mais detalhado?
É importante olhar o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Às vezes o Ebitda é alto e o lucro é baixo porque a parte financeira não está bem ajustada. Mas isso o gestor pode melhorar, analisar a parte tributária, trocar financiamentos. A operação (comprar, vender, pagar) é o que gira o negócio. Uma boa saída é comparar esses números com o mesmo trimestre de anos anteriores.
Que setores a sra. Destaca?
Setores como o de equipamentos das empresas dependem muito do aquecimento da economia. Enquanto não tiver essa expectativa fica patinando. Os ligados ao consumo conseguem ajustar mais a oferta, têm mais controle para estocar, comprar menos e trabalhar prazo de pagamento. Setores que conseguem decisões de curto prazo com mais efeito são sempre bons.

Agência Estado