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Economia
NOTÍCIA

Taxa de desemprego no Ceará é maior na Capital e RMF que no Interior, aponta pesquisa

Os dados, entretanto, não significam que a condição de trabalho no Interior é favorável. Isso porque o rendimento médio mensal dos trabalhadores entrevistados que estão no Interior é menor em quase todos os estados brasileiros

21:08 | 26/07/2019

Com uma taxa de desocupação no País que chega aos 12,7%, conforme informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), novos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relacionados ao primeiro trimestre de 2019 alertam sobre outra realidade: o desemprego no interior é menor que nas regiões metropolitanas e capitais em 18 estados, incluindo o Ceará.

A amostra total da pesquisa é de 91.861 pessoas, sendo 3.620 do Ceará. Desses, 1.841 estão no Interior e têm alguma ocupação, o que totaliza 50,9%. A porcentagem contrasta com a realidade de Fortaleza, que tem 34,8% de trabalhadores.

Os dados, entretanto, não significam que a condição de trabalho no Interior é favorável. Isso porque o rendimento médio mensal dos trabalhadores entrevistados que estão no Interior é menor em quase todos os estados brasileiros. No Ceará, por exemplo, R$ 1.040,00 é o valor relativo à renda nos municípios do Interior, que não chega à metade da média da Capital, de R$ 2.361,00.

Soma-se à contrariedade desses dados outro fator: ainda de acordo com a pesquisa da PNAD Contínua, 62,4% das pessoas que trabalham na informalidade estão no Interior. Ou seja, pelo menos 20,8 milhões em todo o Brasil são trabalhadores sem carteira assinada ou CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), não contribuem para previdência social ou trabalham sem remuneração (casos em que a pessoa auxilia em trabalhos para a família).

Dos entrevistados cearenses, 1.903 é o número de trabalhadores informais. Mais de 60% desses executam as atividades fora da Capital ou da Região Metropolitana de Fortaleza. Ou seja, 1.162 pessoas trabalham sob a realidade de informalidade citada anteriormente.

Para Erle Mesquita, analista do mercado de trabalho do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), esses números refletem a dificuldade do Ceará em levar a atividade econômica para o Interior. "Existem maiores oportunidades na Região Metropolitana de Fortaleza. Na área litorânea é onde tem se concentrado os empregos, naqueles municípios com proximidade com a Capital e melhor infraestrutura tem mais empregos", explicou.

Devido a este fenômeno, é habitual que os empregos no interior do Ceará sejam, em sua maioria, informais. Estes são aqueles empregos em que o trabalhador não tem a carteira assinada, trabalham por conta própria sem CNPJ ou trabalham para o próprio consumo. "O trabalho informal, nos casos em que não há assinatura da carteira de trabalho, além de informal também é ilegal", alerta Erle.

Sobre a renda média superior na Capital, o analista explica que a causa também se dá pelas ocupações informais, além da natureza das atividades, que aceitam formações profissionais mais baixas.

No geral, o cenário econômico no Estado é muito grave, conforme a análise de Erle. "Há uma perspectiva de estagnação econômica. A taxa de desemprego está alta, superior a dois dígitos. É um quadro muito adverso que necessitaria de políticas públicas de trabalho mais ativas. Grande parte dos trabalhadores estão a pelo menos um ano desempregados. As pessoas não estão apenas desempregadas, estão desalentadas. Elas desistem de procurar emprego por achar que não irão encontrar", argumenta.

Gabriela Feitosa ESPECIAL PARA O POVO/Izadora Paula Especial para O POVO