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Alta do dólar tem pressionado preços de produtos industriais, diz IBGE

A valorização do dólar ante o real tem pressionado os preços dos produtos industriais na porta de fábrica, segundo Alexandre Brandão, gerente do Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O IPP subiu 1,43% em maio, após já ter aumentado 1,22% em abril.
"O real se depreciou 2,7% ante o dólar em maio ante abril. De janeiro a maio, o real caiu mais de 10%", calculou Brandão.
A alta do dólar tem influência sobre o IPP através do encarecimento de insumos para a indústria, como o petróleo; do preço das commodities, que são cotadas em dólar no mercado internacional; e do valor obtido com produtos que são exportados.
"Quando o dólar sobe, o exportador recebe mais reais por aqueles produtos, mesmo que mantenham o mesmo preço em dólar, então o preço em reais sobe", justificou Brandão. "No caso de commodity, houve aumento de preço internacional mesmo em maio. Então mesmo que o câmbio tivesse ficado a mesma coisa, o produtor receberia mais por ele (pelo produto, como soja e minério)", completou.
Apenas quatro setores responderam por quase 80% da taxa de 1,43% registrada pelo IPP em maio. A maior pressão foi da alta de 1,75% na fabricação de alimentos, que resultou numa contribuição de 0,39 ponto porcentual para a inflação da indústria.
Os reajustes foram puxados por problemas climáticos nos Estados Unidos, que afetaram a produção de soja e impulsionaram uma alta na cotação internacional do grão, e pela gripe suína na China, que fez aumentar a demanda pelas carnes brasileiras.
"Várias carnes têm aparecido com variação de preços mais intensa. É uma questão de matriz na China. Está tendo gripe suína na China, que tem que comprar carne fora. E daí não compra só suína, compra também de ave e carne bovina. Isso tem sido benéfico para o Brasil, que tem aumentado as exportações para a China", explicou Brandão.
Os produtos das indústrias extrativas subiram 6,50% em maio, uma contribuição de 0,30 ponto porcentual no IPP, devido a elevações tanto na cotação do petróleo quanto do minério de ferro.
Diante do petróleo mais caro, a atividade de refino de petróleo e produtos de álcool teve elevação de preços de 3,28% em maio (com impacto de 0,35 ponto porcentual no IPP). O quarto setor com contribuição relevante para a inflação da indústria foi o de outros produtos químicos, com alta de 1,27% e impacto de 0,10 ponto porcentual.

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