PUBLICIDADE
Economia
NOTÍCIA

Para BC, alta do crédito em maio representa retorno de trajetória de crescimento

14:52 | 26/06/2019
O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, avaliou nesta quarta-feira, 26, que a alta de 0,6% do saldo de crédito total em maio ante abril representa um retorno à trajetória de crescimento. Ele lembrou que, em abril, houve um recuo (de 0,01%) em relação a março, mas que isso ocorreu por fatores sazonais.
De acordo com Rocha, o movimento de alta é mais acentuado no crédito livre, que tem puxado o crescimento do estoque total. Em maio, o saldo de crédito livre cresceu 1,4%.
Já o crédito direcionado - aquele com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da poupança - registrou baixa de 0,5% do saldo em maio. "O crédito direcionado ainda apresenta taxas decrescentes no saldo", pontuou Rocha.
Migração
O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central destacou que existe um movimento de migração de parte do crédito direcionado para o mercado de capitais. Na prática, as empresas estão diminuindo as operações de crédito tradicionais, com recursos direcionados (principalmente BNDES), e buscando alternativas de financiamento no mercado.
Este fenômeno já vem sendo destacado pelo BC há alguns meses, em meio ao processo de redução da participação do BNDES no crédito. Em maio, conforme os dados do BC, o crédito direcionado total sofreu retração de 0,5% em relação a abril. No caso específico das empresas, o recuo foi de 1,3%. O crédito do BNDES para empresas recuou 1,0% no mês passado.
Em contrapartida, o saldo de crédito ampliado para empresas e famílias subiu 1,4% no mês passado. Este saldo incorpora não apenas empréstimos e financiamentos, mas também títulos de dívidas (como debêntures) e dívida externa (como títulos emitidos em outros países). Em 12 meses, a expansão está em 12,5%.
Concessões dessazonalizadas
O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central pontuou que, em maio, as concessões dessazonalizadas nas operações de crédito subiram 2,2% em relação a maio. O porcentual corresponde ao crédito total (crédito livre e direcionado) e passou por ajuste por número de dias úteis, para permitir a comparação mensal.
No caso específico do crédito livre (operações sem recursos do BNDES e da poupança), as concessões dessazonalizadas cresceram 1,5% em maio.
Ao avaliar os números, Rocha pontuou que o mercado de crédito vem crescendo e que este avanço "parece estar sendo mais rápido este ano". "Isso é algo bom para a dinâmica da economia", acrescentou.
Capital de giro
O chefe do Departamento de Estatísticas do BC pontuou também que o saldo das operações de capital de giro tem crescido em linha com o total do crédito livre para empresas. Em maio, houve avanço de 1,2% no saldo de crédito de capital de giro com recursos livres. Este foi o mesmo porcentual da alta do saldo de crédito total com recursos livres para empresas (o que considera todas as operações, e não apenas giro).
Rocha destacou ainda, durante apresentação das Estatísticas de Crédito, o avanço em maio do saldo nas operações para empresas de desconto de duplicatas e recebíveis (2,4%) e antecipação de faturas de cartão (2,1%). "Em parte, a alta em maio foi um retorno do efeito sazonal do mês passado, quando normalmente existe uma queda", disse Rocha. A queda está relacionada ao início de trimestre em abril.
Curva de juros
O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central avaliou também que uma curva de juros "menos inclinada" no mercado de contratos futuros é uma informação positiva para o mercado de crédito. Em 2018, a curva de juros passou por inclinações maiores em função de fenômenos como a greve dos caminhoneiros, ocorrida em maio.
Neste ano, a curva se mostra menos inclinada. Questionado sobre o efeito disso no mercado de crédito, Rocha avaliou o cenário positivamente.
"Uma curva de juros menos inclinada, que preveja juros mais baixos, não apenas no curto prazo, mas em toda a curva, é informação positiva, que pode se traduzir em estímulo e demanda por crédito", analisou ele. "O crédito tem uma série de determinantes. Um deles é o custo. O custo mais barato, a partir de curva menos inclinada, pode fazer com que novas pessoas e empresas busquem crédito", acrescentou.

Agência Estado