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Economia
NOTÍCIA

Gastos na área da construção civil permanecem em declínio, diz IBGE

De acordo com a Pesquisa Anual da Indústria da Construção (Paic), em 2017, as empresas da construção empregavam menos de 2 milhões de trabalhadores

15:42 | 29/05/2019

A baixa atividade econômica que ainda atinge o Brasil fez o número de trabalhadores da construção civil continuar em queda. De acordo com a Pesquisa Anual da Indústria da Construção (Paic), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada nesta quarta-feira, 29, havia em 2016 cerca de 2 milhões de pessoas empregadas no setor no País. No fim de 2017, o número caiu para 1,9 milhão.

O levantamento da Paic priorizou a comparação entre os resultados dos dois pontos extremos de uma série de 10 anos: 2008 e 2017.

Segundo dados da pesquisa, no ano de 2017, observou-se um porte médio de 15 empregados que recebiam, em média, 2,3 salários mínimos (s.m.) por mês. As empresas do segmento de obras de infraestrutura apresentaram o maior número de trabalhadores (42) e rendimento mensal (2,9 s.m.), enquanto os serviços especializados da construção tiveram a menor média de ocupados (10) e rentabilidade (2 s.m.).

De acordo com o estudo, a ordenação dos salários médios entre os seus segmentos também tiveram alteração: em 2008, as firmas de serviços especializados da construção pagavam, em média, um rendimento mensal maior que o observado entre as do ramo de edifícios (2,3 s.m. e 2,1 s.m., respectivamente).

O segmento de obras de infraestrutura que pagava, em média, 3,5 s.m. em 2008, tinha os maiores salários entre as três áreas pesquisadas e foi justamente a que perdeu participação no emprego. Como resultado, entre 2008 e 2017, passou a ser frequentemente relacionado a pagamentos mais baixos.

A distribuição dos custos e despesas das empresas da construção mostrou que gastos de pessoal foi a categoria mais representativa, respondendo por 33,8% do total em 2017. O crescimento da participação dos gastos de pessoal nos custos e despesas das empresas do setor entre 2008 e 2017, a despeito da redução do número médio de ocupados por empresa.

Veja o gráfico

 
Made with Flourish

Estado do Ceará

O Ceará também registrou diminuição tanto no número de empresas ativas no segmento da construção, quando a quantidade de trabalhadores nos últimos três anos pesquisados (2015 a 2017), de acordo com a pesquisa publicada.

Confira o gráfico:

 
Made with Flourish

Ranking dos produtos da construção

Segundo o levantamento da PAIC, em 2017, os três grupos de produtos com maior participação no valor de incorporações, obras e serviços da construção foram: obras residenciais (24,3%); construção de rodovias, ferrovias, obras urbanas e as de arte especiais (18,8%); e serviços especializados para construção (18%).

Em comparação com a pesquisa de 2008, nenhum grupo de produtos manteve sua posição em 2017. O primeiro lugar, em 2008, foi representado pela construção de rodovias, ferrovias urbanas e obras de arte especiais (21,3%), seguido por edificações industriais, comerciais e outras não residenciais (18%), e a terceira posição foi ocupada pelas obras de infraestrutura para energia elétrica, telecomunicações, água, esgoto e transporte por dutos (16,6%).

Estrutura da indústria da construção nas Grandes Regiões

A participação por região geográfica na geração do valor de incorporações, obras e serviços da construção se mostrou bastante concentrada no Sudeste: em 2017, foi responsável por 49,8%. A segunda mais relevante foi o Nordeste, com 18,9% e o Norte contou com a menor participação (5,6%).

Embora o Nordeste tenha permanecido como a segunda região na geração do valor de obras da construção, o Sul foi a que proporcionalmente mais cresceu entre 2008 e 2017.

Houve redução da participação do Sudeste e do Norte no pessoal ocupado no período analisado, enquanto o Nordeste e, principalmente o Sul, ganharam participação. A região Centro-Oeste manteve estável a sua participação no pessoal ocupado da indústria da Construção no período.

David Moura/Especial para O POVO