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Economia
NOTÍCIA

Valor do dólar turismo chega a R$ 4,33 em Fortaleza

O POVO consultou 11 estabelecimentos, encontrando a moeda mais em conta a R$ 4,20 na Capital

22:10 | 20/05/2019

Em meio à efervescência dos mercados financeiros, o dólar comercial apresentou ligeira alta na comparação com o real, no encerramento da Bolsa de Valores (B3) na tarde desta segunda-feira, 20. A moeda estrangeira subiu 0,1% e fechou em R$ 4,1033, com alta de 5,91% neste ano. Esses resultados foram refletidos nas casas de câmbio de Fortaleza, que chegaram a comercializar o dólar turismo por até R$ 4,33.

Durante o dia, o dólar comercial chegou a variar entre R$ 4,0782 (-0,58%) e R$ 4,1219 ( 0,51%) - maior cotação intradiária desde 25 de setembro, quando chegou a R$ 4,1414. Na sexta-feira, 17, logo após o fechamento da B3, o Banco Central anunciou a realização de três leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) no valor de até US$ 3,75 bilhões, para esta semana.

Nesta segunda, US$ 1,25 bilhão foram vendidos pelo BC, que leiloará iguais valores nesta terça e quarta-feira, com intuito de reduzir a alta da moeda ao colocar mais dólares em circulação.

Sobre o dólar turismo, O POVO consultou 11 casas de câmbio em Fortaleza durante a tarde desta segunda. Todos os valores encontrados já incluem o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Estabelecimento com preço mais baixo na compra à vista, a Toppingtur comercializou a moeda por R$ 4,20. Por outro lado, o maior valor foi encontrado na Confidence Câmbio, a R$ 4,33. A média na Capital foi de R$ 4,25 - valor encontrado em cinco locais. Já o cartão pré-pago variou de R$ 4,45 a R$ 4,57, encontrados na Daycoval Câmbio e na La Moneta Câmbio, respectivamente.

O euro também foi pesquisado, chegando a ir de R$ 4,73 para R$ 4,84. O valor mínimo foi encontrado em três lugares: Ourominas Ceará, Western Union Fortaleza e Toppingtur. Já o máximo foi exibido novamente pela Confidence Câmbio. Na compra pré-paga, o preço mais em conta foi de R$ 4,45, na Toppingtur e na Boa Viagem Câmbio, enquanto que o mais alto foi R$ 5,11, na La Moneta Câmbio.

Sobre as variações, a avaliação é que o Brasil está diante de um momento de "incerteza" e "insegurança" econômica. Fatores políticos internos e externos ao território do País têm influenciado na valorização do dólar e na consequente desvalorização do real. Co-CEO da Empiricus, Felipe Miranda elenca três elementos principais para a elevação da moeda estadunidense.

Segundo ele, um seria o diferencial de juros antes oferecido pelo Brasil frente aos demais países, que hoje já não tem mais despertado fluxo atrativo para investimentos estrangeiros. "Outro elemento é o cenário internacional desfavorável, com a guerra comercial entre Estados Unidos e China", declara, citando ainda que os vizinhos do Brasil "também não ajudam".

"Com a (ex-presidente) Cristina Kirchner liderando as eleições presidenciais da Argentina e com a Venezuela no caos que é, a América Latina de uma forma geral saí do radar dos investidores", afirma. Segundo Felipe, o terceiro fator seria a "turbulência" atravessada pelo Governo Federal, que enfrenta dificuldades para negociar com o Congresso reformas econômicas para o País.

"O choque entre legislativo e executivo nunca foi positivo, por isso ainda estamos em um ambiente de fraqueza econômica muito grande", diz. Na mesma linha, o sócio da Conceito Investimentos, Rafael Meyer, analisa que o atual momento político tem gerado "incertezas", fazendo o dólar "disparar". "Em tempos de incerteza política e econômica, o dólar tende a aumentar, pois investidores e empresários tendem a se indispor com o risco", pontua.

Sem vislumbrar mudança de cenário brevemente, Rafael menciona que o principal fator para uma possível queda do dólar seria a aprovação da reforma da Previdência Social. "O que só deve acontecer no próximo semestre", opina, endossando ainda que, mesmo que aprovada, a proposta precisaria alcançar economia de no mínimo R$ 500 bilhões. "Abaixo disso, podemos ter um movimento reverso", inclue.

É recomendável viajar agora?

Frente à alta do dólar, muitas pessoas tendem a temer ou até cancelar viagens internacionais. Para o co-CEO da Empiricus, Felipe Miranda, porém, diante da incapacidade de prever a taxa cambial, é possível analisar cenários e ponderar probabilidades ao projetar situações como de uma viagem.

"A gente sempre recomenda duas coisas: manter um pouco de dólar na carteira, para diversificar os investimentos; e ir comprando moedas aos poucos, porque nada garante que, mesmo estando caro, o dólar não continue subindo. Então para minimizar os riscos, a recomendação não é especular, mas compor o valor a um preço médio, para não ter grandes prejuízos", explicita.

Wanderson Trindade