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Setor da construção civil perde 17 mil postos de trabalho em 2016

A queda de empregos no segmento foi quatro vezes superior a retração apresentada em 2015

13:40 | 24/07/2017
O setor da construção civil apresentou perda de 17 mil postos de trabalho na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) em 2016. O setor empregou 8% da população total ocupada da região no ano passado, queda de 0,6% no comparativo com 2015. A retração na atividade atingiu um patamar inferior ao de 2011, quando o índice de ocupação na área foi de 8,1%.  Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 24, pela pesquisa do Emprego e Desemprego (PED) realizada pelo Instituto de Desenvolvimento e Trabalho (IDT) e pelo Governo do Estado do Ceará.

O recuo nos postos de emprego no ano passado foi quatro vezes maior que a retração apresentada sobre o ano de 2015, quando a RMF perdeu quatro mil postos de trabalho. De acordo com o levantamento, o setor detém a maior participação relativa do total de ocupados nas metrópoles da região Nordeste. 

O estudo ainda apontou que no último ano houve um aumento da participação dos trabalhadores no segmento de construção e incorporação de edifícios e redução dos serviços especializados para construção.  Apesar de não apresentar números reais, há indicativos ainda, conforme a pesquisa, de retração na divisão de obras e infraestrutura no período.

Para o presidente da presidente do Sindicato das Construtoras ( Sinduscon), André Montenegro,  o setor da construção civil enfrenta dificuldades como um todo devido atual cenário crise econômica no País.  Segundo ele, fatores como a ainda alta taxa de juros e a falta de investimentos têm sido um entrave ao segmento. “A construção civil é a locomotiva de qualquer economia, seja do Brasil ou do mundo. Quando ela para, para todos os outros setores”, ressalta. 

Montenegro acredita que no segundo semestre o setor possa começar a dar indícios de melhora. Ele credita a confiança em uma eventual queda gradual das taxas de juros. “Já estamos sentindo uma leve melhora dos índices de recuperação econômica do País, o ânimo do mercado vai voltar quando os juros caírem para um dígito. Para 2018, a esperança é que o as vendas no setor sejam retomadas. No entanto, o fim deste ano ainda deve ser ruim para o emprego na construção civil”.

Perfil do trabalhador

O levantamento apontou que o setor ainda é composto majoritariamente por trabalhadores do sexo masculino (97,62%).  O estudo destacou que o número de jovens trabalhando no segmento diminuiu. Conforme a pesquisa, a média de idade dos profissionais da área está entre 40 e 59 anos, e o ingresso tardio no mercado de trabalho e a escolha por outras atividades tem contribuído para a retração do número de jovens que trabalham na construção civil.

Sobre a inserção no mercado de trabalho, o estudo divulgou que 64,5% dos profissionais possuem vínculo empregatício e 26,2% trabalham por conta própria. A parcela de trabalhadores no setor com carteira assinada em 2016 foi de 39%. Já os rendimentos dos trabalhadores tiveram uma queda menor que a apresentada em 2015. O recuo foi de 7,5% em 2016 e a média salarial no segmento foi de R$ 1.288.

De acordo com o analista do mercado de trabalho do IDT, Eler Mesquita, a crise econômica abalou diversos setores da economia, mas o setor da construção civil foi um dos que mais sentiu os abalos desta recessão. “O maior impacto foi em 2016, a situação é muito adversa para a nossa economia. A queda do emprego,a dificuldade de acesso à linha de crédito. Os salários também apresentaram queda, mas principalmente para os trabalhadores que trabalham de forma autônoma”, destacou.

Sobre as perspectivas de melhora para o segundo semestre deste ano, Mesquita diz que é preciso cautela, pois os últimos seis meses do ano sempre são melhores devido a fatores sazonais.  “O cenário ainda é difícil”, pontua.  O analista destaca ainda a questão da melhora no nível de escolaridade nos trabalhadores da área apontada na pesquisa. “Há um crescimento do fator da escolarização nos setores como um tudo, mas como o segmento da construção civil  conhecido por ser um setor com mais idade e menos escolaridade, a melhoria é relevante”.
 
Redação O POVO Online 

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