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Íntegra da entrevista com Geraldo Luciano Mattos Júnior

Geraldo Luciano Mattos Júnior, vice-presidente de Investimentos e Controladoria e Diretor de Relações com Investidores do Grupo M. Dias Branco, debate sobre temas como crise econômica, consumo e a gestão da gigante cearense

20:47 | 02/07/2017

Setor de Alimentos
Sempre o setor de alimentos é o último que sente a crise e o primeiro que se recupera. É um setor que sente menos os efeitos da crise. Desde 2016 que a gente vem tendo crescimentos porque chega uma hora que para de cair, porque as pessoas têm que continuar comendo. Então, ao longo de 2016 a gente já foi observando uma retomada que continua acontecendo. Não de forma tão pujante, tão expressiva mas os números mostram recuperação do setor de alimentos na economia brasileira. Então, no final de 2015, começo de 2016 a gente já começou verificar uma melhoria nas vendas, uma retomada. Os outros setores vão demorar mais a se recuperar.

 


Brasil

 

O Brasil é um País com muito potencial, com um mercado consumidor muito grande, muita riqueza e eu tenho certeza que, brevemente, vamos ter a retomada da economia brasileira, com crescimento, com distribuição de renda para que a gente possa amenizar os problemas sociais do País. Crise brasileira Estamos vivendo uma crise sem precedentes na história do País. É só a gente analisar os números da economia, os números do desemprego, que é uma grande preocupação hoje da sociedade brasileira. Acho que estamos vivendo um momento importante na história do País com essa apuração dos esquemas de corrupção que, infelizmente, tomaram conta das estruturas políticas brasileiras. Estamos conhecendo o que ocorria. É um momento importante em que essas apurações têm que ir até o final. Embora no curto prazo elas prejudiquem um pouco a retomada da economia.

 

 

Reformas

 

São fundamentais. Acho que a reforma da Previdência se for passar será com a aprovação de poucos itens, não será uma reforma relevante para as necessidades do País. Acho que todo esse tema sobre reformas voltará a ser discutido no País no próximo ano e início de 2019. Estamos falando de reforma Trabalhista e Previdenciária, mas é bom lembrar que temos a reforma política, que é absolutamente essencial e urgente, e a reforma tributária, para permitir simplificar os procedimentos operacionais na vida das empresas brasileiras.

 

 

Cenários

Acho que a gente vai ter uma retomada lenta da economia. Nós chegamos no fundo do poço mas o Produto Interno Bruto (PIB) já parou de cair. Pode até ainda apresentar uma pequena redução mas creio que o segundo semestre e no ano de 2018 a gente já vai verificar crescimento na economia. Mas será um crescimento muito lento. E o mais importante, a geração de empregos que é o que mais interessa será retardada. A indústria tem uma capacidade de produção muito grande e o impacto do emprego vai ser retardado, portanto os efeitos positivos virão somente, provavelmente, a partir de 2019.

 

 

Mudanças

É inegável que houve uma perda de renda da população brasileira que fez com que os consumidores precisassem comprar produtos mais baratos, de menor valor agregado. Isso infelizmente ocorreu, o que a gente chama na indústria de alimentos de empobrecimento do mix. O que é isso? As pessoas que já estavam, pela melhoria de renda, comprando produtos de maior valor agregado, por exemplo, biscoitos recheados, waffler, passaram a comprar produtos com menor valor agregado. Ocorreu o empobrecimento da população pela perda de renda do consumidor, verificamos isso.

 

 

Estratégia

A empresa fez um trabalho muito forte de redução de custos para que a gente pudesse continuar oferecendo aos consumidores produtos de qualidade com preços acessíveis. A empresa fez muito mais um trabalho interno, de preparação para viver esse momento de crise econômica.

 

 

Investimentos

Estamos construindo um moinho no Rio Grande do Sul, estamos investindo para ampliar a capacidade de produção de uma fábrica de margarinas e gorduras aqui em Fortaleza. Temos comprado linhas de biscoitos e massas. Estamos trabalhando no projeto de uma fábrica em Juiz de Fora, Minas Gerais. Não começamos ainda porque estamos concluindo oprojeto e a aprovação de licenças. Nós não mudamos, o Grupo M. Dias Branco sempre investiu, sempre acreditou que a gente terá um País melhor e continuamos realizando os investimentos que estavam programados para esses anos.

 

 

Montante

Acredito que esse ano a gente deve investir, a empresa de alimentos M.Dias Branco, que é de capital aberto, em torno de R$ 300 milhões a R$ 350 milhões. Incluindo a conclusão do moinho em Bento Gonçalves (RS), alguns investimentos em outras fábricas, aquisição de linhas, ampliação da capacidade de produção da fábrica de margarinas e gorduras e já uma parte do investimento necessário para iniciar a fábrica de Juiz de Fora, que será a maior com produção de biscoitos, massas, farinha de trigo e torrada. E a previsão de investimentos para 2018 é investir um pouco mais. Entre R$ 400 milhões e R$ 450 milhões

 

Ampliação

Estamos ampliando a fábrica de margarinas e gorduras que tem várias marcas e está situada no Castelo Encantado, em Fortaleza. No processo de produção de massas e biscoitos o item principal é a farinha de trigo, e nós temos os moinhos que produzem a farinha de trigo, e depois a gordura. Essa fábrica já existe há 15 anos então nós não só produzimos o insumo necessário para produção de massas e biscoitos como também vendemos margarina no mercado. Como tem crescido muito a procura por essas margarinas a gente está ampliando a capacidade de produção.

 

 

Mercado

Atuamos em todo o mercado brasileiro. Somos líder de mercado com 32% de volume de biscoitos vendidos e massas e biscoitos. Não temos produção fora do Brasil e as exportações não são relevantes. Nosso grande mercado é o mercado interno. Estamos fazendo um trabalho para ampliar vendas ao mercado externo, mas hoje ainda é pouco expressivo.

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