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"Se a indústria não for produtiva, vai derreter", diz Marcelo Prim

Presente no 7º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria, em SP, o gerente executivo de tecnologia e inovação do Senai defendeu maior empoderamento da tecnologia por empresas e empreendedores brasileiros

22:03 | 27/06/2017
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"Se nossa indústria não for produtiva, ela vai derreter e ser eliminada. Precisamos empoderar as empresas e indivíduos a usar as tecnologias; é uma questão de sobrevivência". A afirmação é do gerente executivo de tecnologia e inovação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Marcelo Prim. Ele foi um dos convidados a participar ontem da sessão "Indústria do Futuro: riscos e oportunidades para o Brasil diante das inovações disruptivas", no primeiro dia de programação do 7º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria, que prossegue até amanhã (28), em São Paulo. O evento é realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Para ele, por meio da tecnologia, mais precisamente da indústria 4.0 - mais automatizada, controlada de forma remota e por robôs -, uma empresa amplia o seu poder de resolução de grandes dificuldades. Inclusive, o de produtividade, "o maior problema da indústria nacional". Com o uso da tecnologia, diz, é possível ter conhecimento do que ocorre no chão de fábrica, monitorar e realizar manutenção remota de equipamentos, economizando energia e insumos.

Acrescenta que a disrupção - termo utilizado para descrever inovações que geram produtos acessíveis, desestabilizando empresas antes consolidadas, como a Netflix frente à extinta Blockbuster - proveniente da tecnologia não é novidade, mas sim a forma como essa tecnologia passa por inovação ao longo do tempo. Como ser barateada. O custo de um sensor de presença, exemplifica, já chegou a custar um dia US$ 100 a unidade e costumava ser instalado apenas em empresas de grande porte. Em 2020, o mesmo produto deverá custar apenas US$ 1.

Crescimento exponencial

Fundador e presidente executivo da Fundação XPRIZE, cofundador e presidente executivo da Singularity University e indicado como um dos "50 Maiores Líderes do Mundo" pela Revista Fortune, Peter Diamandis também participou do evento com a palestra "Tendências - Empreendedorismo exponencial".

O especialista garante que as empresas lineares, cujo tradicional modelo é a capitalização de uma ideia por meio do acesso limitado a produtos, devem findar em breve. O que fatalmente abrirá caminhos para as empresas exponenciais, caracterizadas por enxergar na tecnologia uma oportunidade para potencializar seus lucros e resultados. "A tecnologia linear vai cair no precipício e isso vai chacoalhar o mundo", prevê, lembrando que empresas consolidadas, como a Kodak, foram destruídas por uma "combinação de inteligência artificial, robótica, sensores, realidade aumentada...".

Gargalos

Professor da Unicamp, Luciano Coutinho aponta como principais gargalos para a inovação no Brasil a dificuldade de engajar empresas para que evoluam na digitalização. Outro entrave é a escassez de recursos humanos. Orienta, portanto, treinamento, qualificação e habilitação de pessoas para tais mudanças disruptivas, independente do cenário econômico atual.

"Tivemos uma queda forte da produção industrial, que felizmente parou de cair, mas a situação é desafiadora. Não se pode deixar de ter essa visão do futuro". Sem mudanças, ainda que pequenas ou em partes, o País "corre risco de uma obsolescência abrupta".

David Burns, CIO da GE Digital, coloca o Brasil como um dos mercados mais promissores da empresa. Porém, recomenda aos empresários mais ousadia no uso das tecnologias. "O Brasil está no top five da GE, mas os inovadores daqui têm que nos ajudar a ser maiores. Nesse mercado de inovação é necessário ser ativo e agressivo". Afinal, conclui, "negócios bem sucedidos arriscam bastante".


Saiba Mais

Reconhecendo negócios que apostaram na inovação como diferencial competitivo, o 5º Prêmio Nacional de Inovação abriu a programação do 7º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria, realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em São Paulo.

Ancorado pelos temas “inovar é criar valor" e "inovações disruptivas", o evento destaca a inovação como estratégia para posicionar o Brasil entre as economias mais competitivas do mundo.

Nesta edição, o prêmio recebeu um volume de inscrições 79% maior do que na edição anterior, somando 3.987 empresas, divididas em quatro modalidades: micro e pequenas empresas de comércio e serviços atendidas pelo Programa Agentes Locais de Inovação (ALI) (3.131), micro e pequenas empresas (599), médias empresas (106) e grandes empresas (151).

Segundo o diretor-presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, o prêmio vem em um momento em que as notícias positivas no Brasil “custam a chegar ao conhecimento de todos”. E que, portanto, para além das crises econômica e política, é possível visualizar por meio das empresas inscritas que o País “está muito vivo, com vontade de inovar. Esta premiação é uma renovação de nossas esperanças”.

Também presente na cerimônia de premiação, o vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Paulo Afonso Ferreira, afirmou que a quantidade de empresas inscritas, de todas as regiões do País, é “um relevante indicador que demonstra um amadurecimento do setor empresarial” no quesito inovação. “Momentos de crise são oportunidades para reflexão e aprimoramento. E com o espírito inovador incorporado, daremos mais um passo decisivo para o aumento da competitividade, da produtividade e da economia nacional”.

A última edição do Congresso ocorreu em maio de 2015, em São Paulo, e atraiu mais de duas mil pessoas. Para os dois dias desta edição, a organização estimou a presença de três mil visitantes. A estrutura envolve uma área de 11 mil metros quadrados, com duas arenas (laranja e azul) para palestras, espaço comum para apresentação de ecossistemas de inovação e uma praça de convivência.

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