Em tempos de crise, cooperação entre grandes empresas e startups deve ser maior
A orientação vem da diretora técnica do Sebrae, Heloísa Menezes. A conexão, garante, é fundamental para o desenvolvimento social e econômico do País
[FOTO1]A crise econômica que o Brasil ainda atravessa, agravada pelos recorrentes escândalos políticos, exige uma nova postura do empreendedor brasileiro e uma cooperação maior entre grandes empresas, multinacionais; e as empresas nascentes, as startups.
É o que defende Heloísa Menezes, diretora técnica do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A especialista participou do 7º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria, realizado pelo Sebrae em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo, entre os dias 26 e 28 de junho.
Para ela, a conexão entre startups e grandes empresas pode ser uma alternativa viável, inclusive, para arrefecer a crise, tendo em vista que negócios emergentes podem contribuir largamente para o processo inovativo.
“Nesta era da transformação digital, vários grandes negócios tradicionais foram ‘comidos’ por estratégias digitais que vieram geralmente das startups. Empresas grandes não podem negligenciar a existência de startups em seus negócios”.
Exemplo clássico de falha no processo de inovação, cita, é a Kodak, multinacional que um dia chegou a liderar a produção de filmes fotográficos e outros equipamentos profissionais do tipo.
Apesar de ter um negócio firmado, perdeu espaço para o digital, abrindo campo para ferramentas de inovação disruptiva - que “quebram” modelos tradicionais de negócios - como o Instagram, rede social de compartilhamento de fotos e vídeos. “Foi uma grande empresa, mas que não percebeu que uma tecnologia disruptiva dentro dela mesma seria sua chance de crescimento”.
“Ganha-ganha”
Além da inovação no processo de produção de um produto ou serviço, Heloísa afirma que as startups possuem modelo de negócio diferenciado. Ou seja, não seguem o fluxo tradicional de vida de uma empresa. Antes de ser constituída como tal, já testa a ideia junto ao mercado e tem até mesmo a possibilidade de procurar investidores e captar recursos. “Uma startup tem um modelo de criação mais simplificado e tem mais chance de transformar uma ideia em negócio”.
Por outro lado, as grandes empresas sabem quem são, o que querem e onde estão seus clientes. E têm estrutura de gestão e financeira mais consolidadas para financiar um projeto. Aliados, portanto, entram em um "jogo de ganha-ganha", por meio do qual as duas partes se beneficiam.
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Já para os pequenos empreendedores que, ainda assim, querem desenvolver uma ideia de forma independente, mas esbarram no obstáculo de acesso a recursos para investir na nova empresa, podem inicialmente se adiantar e montar uma equipe entrosada, com bons sócios e antenada nas constantes mudanças. "Sempre, em qualquer negócio, ter boa informação no segmento onde está entrando e observar tendências é fundamental. E o sucesso é a capacidade de inovar permanentemente. A competição agora é global".
*A repórter viajou a convite do Sebrae
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