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Acordos bilaterais diretos podem ser ampliados na gestão Trump

Ainda há muita margem para crescimento nas relações entre Brasil e Estados Unidos, afirma o Consul Geral dos Estados Unidos para o Nordeste, Richard Reiter

21:33 | 28/03/2017

Em palestra nesta terça, 28, para empresários cearenses, promovida pela Amcham Fortaleza, ele explicou que apesar dos ruídos políticos e incertezas nos dois países, os negócios continuam ocorrendo e que o momento atual favorece mais acordos diretos bilaterais, do que aqueles firmados em bloco.

 Setores como o de energia renováveis, infraestrutura, têxtil e tecnologia da informação são consideradas boas janelas de oportunidade. “Já existe uma forte relação entre EUA e Brasil, mas podemos fazer muito mais e melhor”, explica Reiter. No ano passado, o comércio entre os dois países movimentou US$ 56 bilhões. “O Brasil é o nono maior parceiro comercial dos EUA. Parece muito, mas não é. Isso quer dizer que estamos perdendo negócios”.

 Ele também destacou que o presidente americano Donald Trump tem um perfil muito voltado aos negócios e que um primeiro encontro com o presidente brasileiro, Michel Temer, já foi feito. O momento agora é de analisar os cerca de vinte diálogos bilaterais, iniciados ainda na gestão anterior, para decidir qual será a agenda de negócios. “Estamos agora olhando este prato cheio e vendo onde vai fazer os avanços”. Além da compra de produtos, há também oportunidades de alavancar investimentos.

 No Nordeste, a produção de energias renováveis tem despertado a atenção de empresas americanas interessadas em investir no País, agregando tecnologia. “O Nordeste é um dos maiores produtores de energia renovável do País. Aqui tem eólica, solar, tem políticas progressistas na área de energias renováveis. As empresas americanas estão olhando o mercado aqui porque é bem rico e que tem muito a explorar”.

 As parcerias público-privadas (PPP) também são vistas com bons olhos, porém o custo brasil continua sendo um obstáculo. Por outro lado, o cônsul destacou que há interesse em atrair mais empresas a investir nos Estados Unidos. O estoque de investimentos brasileiros naquele país, em 2015, chegou a US$ 24 bilhões. Para o professor da Devry Brasil, e mestre em economia, Gustavo Zech Sylvestre, esta predisposição maior para acordos bilaterais diretos que se observa não apenas nos Estados Unidos, mas no mundo, pode ser positiva para o Brasil. “Os acordos por blocos não conseguem pegar todas as variáveis de um determinado país, ou determina situação econômica e fica mais difícil trazer uma relação de benefício mútuo para EUA e Mercosul, por exemplo. Os acordos bilaterais levam em consideração que há de melhor e as situações mais delicadas de cada país, de forma que teria um benefício maior”.

 Ele diz que hoje o que acontece nos EUA, até pelo seu tamanho e representatividade no mundo, tem um poder muito maior de complicar a situação da economia brasileira, do que o oposto, a exemplo do aumento da taxa de juros americanos, hoje em 1% ao ano, que pode provocar uma fuga de investidores do Brasil. Mas, ele acredita que o fluxo comercial entre os países não será afetado. “Por mais que Trump esteja tomando medidas agora que para alguns podem ser preocupantes, no longo prazo, as relações tendem a permanecer no fluxo que sempre tiveram, que é de parceria, de crescimento mútuo. Independente da política que Trump venha a fazer, o Brasil continuará sendo considerado um player importante”.

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