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Abapp: 'Risco não deve ser demonizado'

Silvio Rangel, representante da instituição, defendeu que investimentos com alguma oferta de risco devem ser vistos como uma oportunidade para os fundos de pensão

20:30 | 11/11/2016

Com a expectativa de baixa da taxa básica de juros para os próximos meses, os fundos de pensão devem ficar atentos para evitar que a rentabilidade de seus investimentos caia. Para Silvio Rangel, membro do Conselho Deliberativo e da Comissão Técnica Nacional de Investimentos da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), essas instituições devem encarar investimentos de maior risco não como uma opção absurda, e sim como uma ferramenta. A declaração foi feita durante o 23° Seminário de Investimentos, evento promovido pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Nordeste (Capef), na manhã desta sexta-feira, 11.


“Risco não deve ser demonizado, deve ser gerido”, disse ele, durante uma das palestras que integraram o evento. No entanto, Silvio avalia que deve-se ter em mente a situação superavitária ou deficitária de cada entidade, assim como o nível de conservadorismo de sua carteira. Ele conta que, se a tendência de diminuição da taxa Selic se confirmar, não assumir níveis crescentes de risco deve resultar em rentabilidade decrescente nos investimentos.


Zilana Ribeiro, diretora-presidente da Capef, defendeu a aplicação de investimentos com “risco calculado”, ou seja, levando em consideração as diferentes variáveis que contribuem para aumentar ou diminuir esse risco e adotando garantias que o abrandem.


Ela conta que na Capef há o plano previdenciário BD, formatado na modalidade de benefício definido, e o CV I, na modalidade de contribuição variável. O primeiro já é bastante maduro, portanto pede mais conservadorismo em seu manuseio. O segundo, no entanto, é consideravelmente mais jovem e permite que seja operado com mais fatores de risco. No entanto, ela lembra que é sempre preciso ter cuidado, pois os fundos trazem consigo obrigações de muito longo prazo.


Danilo Araújo, diretor de administração e investimentos da entidade, conta que nos últimos sete anos investimentos de renda variável tiveram perda de valor, motivo pelo qual a Capef fez bem em vender o que tinha de investimentos desse tipo quando teve a chance, realocando para opções de renda fixa.


Os fundos de pensão tradicionalmente optam por investimentos mais seguros, como os de renda fixa, que são atrelados à taxa Selic. No entanto, como é regra na maior parte dos casos quando se fala em investimentos, mais segurança também significa menor garantia de rentabilidade.


Segundo Zilana, a Capef está considerando entrar em investimentos de renda variável, mais arriscados e também mais rentáveis. Porém, se isso for feito, será com cobertura de hedge, estratégia no mercado usada para minimizar os riscos em aplicações desse tipo.


MUDANÇAS NAS REGRAS


Durante sua participação no evento, Silvio discursou sobre as alterações feitas nas regras de precificação e solvência em fundos de pensão. Ele, que integrou a equipe que definiu as mudanças, esclareceu em detalhes como elas funcionam e o que foi alterado.


O equacionamento dos déficits nos fundos passou a ser feito a partir da duration observada nos planos, isto é, o tempo médio no qual o pagamento dos benefícios aos participantes do fundo é feito. Silvio conta que, desse modo, passa a haver mais justiça dentro do sistema, que agora prevê que planos maduros e planos jovens com duration maior obedecem às mesmas condições.


Além disso, Silvio conta que a nova norma estabelece que o teto de rentabilidade é equivalente à taxa dos títulos federais mais 0,4%. Isso significa que, para além do rendimento desses títulos, abre-se espaço para tomar risco ativo, mas não em uma margem exagerada.


Desse modo, segundo ele, há um incentivo de um ponto de vista estratégico para impulsionar esses investimentos. A regra prevê ainda que, caso a taxa de juros dos títulos federais baixe para um patamar menor do que 4%, essa margem aumenta e pode chegar a 0,6% ou 0,7% além da rentabilidade desses títulos.


SAIBA MAIS: Vitória de Trump pode inibir baixa dos juros


Silvio Rangel, da Abrapp, considera que a tendência para os próximos meses é a diminuição da taxa básica de juros. No entanto, isso não é uma garantia, e um dos fatores que podem fazer que isso não aconteça é o resultado da eleição presidencial dos Estados Unidos, anunciado esta semana.


O republicano Donald Trump venceu a candidata democrata HIlary Clinton, contrariando a tendência indicada por grande parte das pesquisas divulgadas anteriormente na imprensa norte-americana. Como resultado, mercados no mundo inteiro reagiram fortemente. No Brasil, o Ibovespa registrou queda superior a 2% e o dólar avançou quase 5% perante o real, a maior alta na cotação desde outubro de 2008.

 

Anderson Cid
ESPECIAL PARA O POVO
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