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Ex-ministro da Fazenda, Krause, analisa situação econômica do País

Krause, que assumiu o Ministério da Fazenda, em 1992, relembra da longa trajetória de crises que o País enfrantou ao longo das décadas e pontua que a questão crítica está na consumação do impeachment

12:08 | 05/08/2016
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Em entrevista ao O POVO, o ex-ministro da Fazenda, Gustavo Krause, revelou suas perpectivas em relação à atual situação econômica do País. Ele esteve em Fortaleza, na quinta-feira, 4, como convidado do evento da Associação Médica Cearense, que lançou o projeto Core Med em parceria com a Core Insurance Consultoria, empresa especializada em planejamento financeiro, previdenciário, tributário, securitário e que atua com foco especializado com a classe médica.

Ao ser questionado se o Brasil está no caminho certo para sair da crise, Krause, que assumiu o Ministério da Fazenda, em 1992, relembra da longa trajetória de crises que o País enfrantou ao longo das décadas e pontua que a questão crítica está na consumação do impeachment "que restaura expectativas positivas e cria um ambiente estável e previsível para viabilizar o ajuste econômico sob a orientação de uma equipe de primeiríssima qualidade. Paralelamente, as instituições judiciárias devem seguir punindo os corruptos. A comprovada resiliência do Brasil a um variado cardápio de crises e o suporte político ao programa de ajustes e reformas recolocará o Brasil no caminho da recuperação econômica mais rapidamente do que se imagina", analisa.

Para ele, não existem mágicas na gestão orçamentária. "Suas bases equivalem 'as regras da casa': não gastar mais do que se arrecada; não se endividar mais do que a capacidade de pagar o débito; gastar bem e gastar certo. O Governo pegou o bonde andando e na direção errada. E mais: as vinculações obrigatórias são uma monstruosidade orçamentária. Afastando a indesejável possibilidade de aumentar impostos, pode ser significativo a receita das privatizações e insistir no aumento da DRU. A médio e longo prazo, reformar o Estado de modo que ele caiba no bolso do contribuinte", esclarece.

Apesar do momento delicado, o ex-ministro aposta que o agronegócio é o setor que mais tem chances de sair rapidamente da depressão econômica, pelo fato do País ter potencialidades como uma economia de baixo carbono. Além disso, ele aconselha prestar atenção aos investimentos em fontes renováveis de energia.

Em relação à reforma da Providência Social, Krause analisa como uma situação complicada. "Econômica e socialmente inevitável; politicamente complicadíssima. Se o problema não for enfrentado vai ter cacos do Brasil para todos os lados", diz. Em suma, a visão dele sobre a importância da reforma no setor é de que a "previdência não é um compromisso de financiamentos entre gerações, estruturado sobre o regime de repartição; a previdência é um compromisso de um trabalhador que, durante sua fase laboral, com ele próprio, trabalhador na fase pós-laboral num sistema de capitalização, ou seja, o trabalhado na ativa para que ele financie sua própria aposentadori", comenta.

Sobre as estimativas do PIB para 2017, ele acredita que superada a interinidade do governo Temer é razoável apostar na estimativa positiva.

 

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