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Vendas em maio deram banho de água fria nas expectativas, diz FecomercioSP

11:10 | 12/07/2016
A informação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de que as vendas do varejo recuaram 1% em maio na comparação com abril, com os dados dessazonalizados, deu um banho de água fria nas expectativas dos analistas do mercado que já projetavam alguma melhora no desempenho do setor. A avaliação é do assessor econômico da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Fábio Pina.

Pelo levantamento feito pelo Broadcast Projeções, as expectativas em relação às vendas restritas (exceto automóveis e materiais de construção) indicavam um intervalo que ia de uma queda de 0,5% a uma alta de 1%. Para as vendas no conceito ampliado (inclusive automóveis e materiais de construção), as expectativas eram de uma alta de 0,10% a 2,70%.

De acordo com Pina, até mesmo a FecomercioSP foi surpreendida pelo mau desempenho das vendas em maio. A entidade, segundo ele, apostava em alguma melhora tendo em vista que indicadores como os de confiança melhoraram e os indicadores de inflação registraram variações menores dos preços aos consumidores. "O problema é que a renda acompanha os demais indicadores no curto prazo", disse Pina.

O economista destaca ainda a queda de cerca de 10% nas vendas ampliadas no acumulado do primeiro semestre. "É muito significativa. Em abril a queda foi de um dígito e por algum momento achávamos que a situação pudesse melhorar. Mas os dados de maio não confirmam isso", lamentou Pina. Ele acredita que os números podem até ser um pouco melhor no segundo semestre, mas não se pode perder de vista que no ano passado o primeiro semestre foi muito fraco.

A notícia menos ruim é que o mercado de trabalho já dá mostras de que não fechará o ano tão ruim como se esperava no começo do ano. Em função do primeiro trimestre péssimo para o emprego, diz Pina, chegou-se a cogitar demissões ao redor de 2,5 milhões de pessoas. "Agora a tendência é o desemprego ficar no mesmo patamar do ano passado, com demissão de 1,5 milhão de pessoas", disse o economista, indicando a estreita relação do mercado de trabalho com o desempenho do varejo.

A FecomercioSP, em função desta percepção de que serão demitidas menos pessoas que o esperado inicialmente, está revisando a projeção de vendas para São Paulo de uma queda de 3% a 5% para uma estabilidade. "Estabilidade para nós pode ser de uma queda de 0,1% a uma alta de 0,1%", disse Pina.

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