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Atividade econômica volta a cair no Brasil e no Ceará

A atividade econômica volta a cair no Brasil e no Ceará em maio e no acumulado do ano. Índice do Estado nos cinco primeiros meses do ano (-5,6%) recuou quase o mesmo que o nacional (-5,7%), reforçando que a recuperação será lenta

22:34 | 14/07/2016

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) dessazonalizado (ajustado para o período) apresentou queda de 0,51% em maio, comparado a abril. No caso do Ceará, a queda foi de 0,9%. O IBC-Br é uma espécie de prévia do Produto Interno Bruto (PIB), uma forma de avaliar a evolução da atividade econômica brasileira e ajuda o Banco Central a tomar decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic. Os dados divulgados ontem pela BC reforçam a opinião de especialistas, de que a recuperação da economia será lenta.

Na comparação entre maio deste ano e maio de 2015, houve queda de 1,86% no IBC-Br nacional, de acordo com os dados sem ajustes, já que são períodos iguais na comparação. Em 12 meses encerrados em maio, a retração ficou em 5,43% e no ano, em 5,79%. Nessas duas comparações o Ceará, também registra recuos. A queda foi de 5,6% comparando maio deste ano com igual período do ano passado. No acumulado de janeiro a maio anotou -5,6% e nos últimos 12 meses é observado -4,9%.

No caso do Ceará, segundo o economista Henrique Marinho, o resultado negativo reflete a queda do setor de comércio e serviços. "A atividade do comércio tem um peso muito grande no IBC-Br do Ceará, que vem respondendo negativamente com grande intensidade, inclusive para vendas de supermercados", comenta. Observa ainda que a atual crise do desemprego afeta mais diretamente os menores salários que estão concentrados no comércio e construção civil. "Com isso, a capacidade de consumo se reduz", completa, ressaltando que também o setor agropecuário contribuiu para o declínio, que devido a seca, está demonstrando uma atividade negativa e a indústria que não consegue se recuperar.

MONITOR
Também foi divulgado ontem, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Monitor do PIB indicando que em maio a economia continuou estagnada. “O Monitor do PIB-FGV de julho, com informações até maio do corrente ano, mostra recuou de 0,41% em maio, comparado a abril, registrando assim a pior queda mensal desde setembro de 2015. Em contrapartida, na comparação do trimestre móvel findo em maio com o trimestre imediatamente anterior a retração foi de 0,46%, taxa esta que apresenta variação menos negativa pela quinta vez consecutiva. Estes resultados podem estar apontando para uma possível melhora, ainda lenta, da atividade econômica”, afirma o coordenador do Monitor do PIB-FGV, Claudio considera.

Avalia que os dados apontam na mesma direção mas os dados do IBC-Br são mais negativos. Ele também considera mais importante os dados do trimestre. "Nesses dados a gente percebe uma melhora, no sentido de que a situação está menos ruim", diz, reforçando que a economia está reagindo lentamente e vai continuar assim. Adianta que a previsão do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV é de um PIB de -3,5% em 2016. Considera também vê melhora no setor da indústria de transformação mas o serviço, principalmente nos gastos pessoais, não. "A gente entende que as famílias estão perdendo renda com a inflação e desemprego e isso se reflete no consumo do que não é essencial", conclui.

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