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Abraciclo aposta em sazonalidade favorável e impeachment para 2º semestre melhor

13:50 | 12/07/2016
O mercado de motocicletas no Brasil deve ser mais aquecido no segundo semestre do que no primeiro, aposta a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). Depois de o mercado atingir um volume de 469 mil unidades na primeira metade do ano, a expectativa é de que 551 mil unidades sejam vendidas na segunda metade.

"Apesar das dificuldades, temos um período sazonal melhor, com a chegada da primavera e do verão e com a chegada do 13º salário, que, embora boa parte dele esteja comprometido com a quitação de dívidas, sabemos que ele sempre traz um movimento adicional", disse o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian. "Contamos com a resolução da questão política, que está em vias de acontecer e esperamos que se conclua para que o País possa caminhar com coisas mais concretas e com adoção de medidas na política econômica", acrescentou.

Com a melhora esperada para o segundo semestre, o ano terminaria com a venda de 1,020 milhão de motocicletas, queda de 13,7% em relação a 2015. Até junho deste ano, a retração acumulada é de 26,8%.

A crise do setor automobilístico no Brasil, que enfrenta quedas em venda e produção, levou as fábricas de motocicletas a demitirem mais de 4 mil funcionários nos últimos três anos, estima a Abraciclo. Em 2013, elas contavam com 18.249 funcionários, número que caiu para 16.102 em 2015 e para 14.004 até abril deste ano. A queda acumulada é de 23,2%.

Segundo o presidente da Abraciclo, a tendência é que as demissões continuem ao longo do ano. "Já observamos, em maio e junho, uma readequação dos quadros das empresas e é provável que esse movimento continue no restante do ano", disse o executivo. A expectativa de piora reflete o fraco desempenho da produção de motos no País, que teve retração de 33,4% nos emplacamentos registrados no primeiro semestre de 2016.

O presidente da associação atribui a queda do mercado ao aumento do desemprego, que, por sua vez, reduziu a demanda por crédito para a aquisição de motocicletas. Tanto que a modalidade de financiamento CDC (Crédito Direto ao Consumidor) perdeu participação no total de compras, de 33,1% no primeiro semestre de 2015 para 32,6% em igual período de 2016. O recuo abriu espaço para o crescimento dos consórcios, que saíram de 33% para 35% na mesma comparação e agora ocupam a preferência dos consumidores.

"A restrição ao crédito dos bancos se somou à baixa demanda das pessoas, algo que tem sido percebido pelas concessionárias, que notam um menor fluxo de clientes nas lojas. Temos de lembrar também que a compra financiada é uma compra de expectativa, em que a pessoa acredita que terá seu emprego para poder honrar seus compromissos", disse Fermanian. Segundo ele, a cada dez pedidos de créditos, apenas dois são aprovados pelos bancos. No auge do mercado, o nível já foi de quatro para dez.

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