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PIB do 1º tri mostra pequena mudança positiva, mas cairá 3,8% em 2016, diz Abit

14:20 | 01/06/2016
O presidente do conselho de administração da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Rafael Cervone Netto, afirmou nesta quarta-feira, 1º de junho, que o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre deste ano, que registrou contração de 0,3% ante o quarto trimestre e retração de 5,4% na comparação com igual período de 2015, mostra pequena mudança que está ocorrendo no País e que o setor acompanha. Segundo ele, a crise que o Brasil vive é econômica, mas sobretudo de confiança no governo de Dilma Rousseff.

"O cenário macroeconômico ainda está hostil, decorrente da falta de confiança de todos da sociedade na política, de que o governo anterior pudesse criar uma solução que pudesse reverter esse momento", disse ao Broadcast (serviço de notícias em tempo real da Agência Estado), após participar da abertura oficial do Congresso Internacional Abit 2016.

Cervone comentou que, com o País sob o comando do presidente em exercício, Michel Temer, mudam as expectativas e o humor do empresariado nacional. "É incrível como de vez em quando a gente fica feliz ouvindo obviedades. Mas estava faltando até isso", ressaltou.

Entretanto, a Abit espera que o PIB deste ano apresente retração de 3,8% e acredita que para o setor voltar a contratar é preciso que um cenário positivo se consolide. "Ninguém vai voltar a contratar se tiver em dúvida ainda. Estamos ainda com muitas variáveis incertas. Depois é ocupar a capacidade ociosa, voltar a praticar horas extras e, depois, contratar. Mas já há um começo de mudança", disse.

Cervone informou ainda que a capacidade ociosa do setor está em 79,3% (têxtil) e em 83% (vestuário), porcentuais considerados muito baixos, mas que o movimento de contratações e demissões está se alterando para positivo: em abril, houve 633 demissões, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), na comparação com 5.149 postos fechados em igual mês de 2015.

No ano passado inteiro, o segmento fechou 100 mil postos de trabalho, recorde histórico, ante 20 mil em 2014 e geração de 23 mil empregos em 2013.

Supermercados

Os números do PIB do primeiro trimestre de 2016 frustraram as expectativas para o comportamento do consumo das famílias, na avaliação do economista da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Rodrigo Mariano. Para ele, os dados mostram um impacto forte provocado pelo desemprego e queda da renda, mas a expectativa é de uma estabilização pela frente.

O setor de supermercados tende a passar por recuperações mais rapidamente que outros setores de consumo mais discricionário. Na avaliação da Apas, já há sinais de um estancamento da crise nas vendas dos supermercados registradas até abril. Os números da entidade ainda não foram compilados, mas Mariano afirma que há uma indicação de que o resultado de vendas entre janeiro e abril deve ficar próximo de uma estagnação em relação aos mesmos meses de 2015.

"Houve muito efeito da queda do emprego e da renda, mas já há um ajuste do consumo acontecendo. Não deve haver mais tanto impacto pela frente", completou.

O consumo das famílias caiu 1,7% no primeiro trimestre de 2016 em relação ao quarto trimestre de 2015. Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, o consumo das famílias mostrou queda de 6,3%. A taxa no acumulado dos quatro trimestres encerrados em março foi de queda de 5,2%, enquanto a projeção da Apas era de 4,5% a 5% de baixa.

Para o gerente de economia e pesquisa da Apas, apesar das tendências em relação ao desemprego, alguns efeitos devem favorecer os resultados pela frente. O primeiro deles é a base de comparação já bastante fraca de 2015. "Temos uma expectativa de estabilização, mas estabilização num patamar baixo", comenta.

Outro sinal que pode ser positivo, na leitura de Mariano, é que se abre um espaço para a redução da taxa básica de juros. "O resultado mostra que houve um reflexo muito forte do desemprego e queda na renda, que isso puxou o consumo para baixo, o que abre a porta para uma redução de taxa de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom)", conclui.

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