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PIB dá a entender que o pior já passou, mas há incerteza política, diz Insper

13:00 | 01/06/2016
Os números do PIB do primeiro trimestre, divulgados nesta quarta-feira, 1º de junho, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dão a entender que o pior para a economia brasileira já passou, na avaliação do professor de economia do Insper João Luiz Mascolo. A economia teve contração de 0,3%, na margem, melhor do que a mediana dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, de queda de 0,8%.

"Obviamente que os números ainda são muito ruins, o estrago foi maior do que qualquer um imaginava, mas não se deve esperar uma queda maior do que essa de 5,4% na comparação anual (no primeiro trimestre). A questão é que ainda há muita incerteza política pela frente", comenta.

Segundo ele, o pior cenário seria a volta da presidente afastada Dilma Rousseff. Por outro lado, se o presidente em exercício, Michel Temer, conseguir aprovar projetos importantes no Congresso, as projeções para a economia poderiam melhorar um pouco. "Para este ano, uma queda de cerca de 3,8% já está dada. Pode haver alguma melhora pequena, mas não faz muita diferença", explica. Para ele, na margem, talvez o PIB volte ao positivo no quarto trimestre deste ano.

Segundo Mascolo, os números do IBGE deixam claro que a estratégia do governo é melhorar a confiança, o que impulsionaria os investimentos. Com isso, entre os componentes do PIB, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) seria o primeiro item a começar a avançar. "Os dados deixam claro que a recuperação não virá do consumo privado ou dos gastos do governo". Ele aponta ainda que o setor externo também tem ajudado a amenizar a contração da economia, "que seria muito maior sem isso". Essa contribuição positiva ocorre mesmo com a fragilidade nos preços das commodities.

Nesse sentido, o professor do Insper aponta que o desempenho da China este ano será mais importante para o Brasil do que a normalização da política monetária nos EUA. "O Federal Reserve deve aumentar os juros duas vezes este ano, e isso já está mais ou menos no preço. A magnitude desse aperto não é tão contundente. A situação da China é mais importante, porque as commodities dependem muito disso", explica.

Sinal de recuperação

O secretário executivo do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Fernando de Magalhães Furlan, comentou que o PIB do primeiro trimestre, que registrou contração de 0,3%, na margem, ante o quarto trimestre, e retração de 5,4% ante o mesmo período de 2015, é sinal de que se começa a verificar recuperação de vários indicadores da economia. "Alguns analistas tinham a previsão de que seriam necessários quase três anos para que o Brasil saísse da recessão. Já se passou quase um ano e estamos chegando na metade do processo", ressaltou ao Broadcast (serviço de notícias em tempo real da Agência Estado), após participar da abertura oficial do Congresso Internacional Abit 2016.

Ele ainda comentou que, nesse sentido de recuperação da economia, o Ministério vai colaborar no esforço de se lançar vários projetos, mesmo com poucos recursos disponíveis. "Vamos atacar com criatividade o que pode ser feito para ajudar na retomada do crescimento da economia com pouco recurso. A hora também é de aproveitar para arrumar a casa e nos prepararmos para quando o crescimento da economia voltar e potencializar esse movimento", disse, citando o projeto recém-lançado Brasil Mais Produtivo, que visa atender 3 mil empresas industriais de pequeno e médio porte em todo o Brasil.

O objetivo do programa, criado ainda sob a gestão de Dilma Rousseff (PT) é aumentar em 20% a produtividade das companhias, com a redução dos sete tipos de desperdícios (superprodução, tempo de espera, transporte, excesso de processamento, inventário, movimento e defeitos).

Balança, câmbio e nova estrutura

Furlan disse que a projeção de superávit comercial entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões para 2016 está mantida. "E ela ainda é conservadora", destacou. O secretário executivo do MDIC não quis adiantar o resultado da balança comercial de maio, que será divulgada hoje às 15 horas, mas no mercado comenta-se de que o resultado pode chegar a um superávit de aproximadamente US$ 5,9 bilhões.

Sobre o câmbio, Furlan disse que se for comparado o patamar atual com o de há anos, o de hoje está bem melhor para o setor exportador. "Isso é uma coisa muito do mercado. Óbvio que qualquer piora não ajuda, mas também acredito que há um espaço, um equilíbrio", afirmou.

Questionado sobre a nova estrutura do MDIC, com a transição de comando da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e da Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex) ao Itamaraty, Furlan lembrou que na semana passada houve reunião entre os ministros Marcos Pereira (MDIC) e José Serra (MRE) e também dos secretários executivos de ambas as pastas. "Estamos nesse ponto. Precisamos elaborar os decretos que vão regulamentar as mudanças. No geral, vamos fazer da melhor forma possível para que não percamos tudo o que já foi feito. Nossas áreas já vinham entregando resultados e esperamos que continuemos assim. Devemos contribuir com o Itamaraty com o que for necessário", declarou.

Especificamente sobre o fortalecimento dos trabalhos em firmar mais acordos bilaterais com ao MRE, a autoridade falou que o MDIC já vinha entregando "bastante resultado nisso". "Muito do que está se dizendo agora já vinha sendo feito, o que é bom, sinal de estávamos no caminho correto. E agora, com o MRE, vamos potencializar o que já estávamos fazendo", disse.

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