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IABr cobra que governo não reconheça China como economia de mercado

16:40 | 08/06/2016
O Instituto Aço Brasil e a Associação Latinoamericana do Aço (Alacero) rejeitaram o reconhecimento da China como economia de mercado, uma situação que, na avaliação das duas instituições, atrapalharia a adoção de eventuais medidas antidumping contra a indústria siderúrgica do país asiático.

Nos últimos anos, a China se tornou responsável por 50% da produção mundial de aço e 45% do consumo. Assim como em outros países, porém, a indústria chinesa também possui excesso de capacidade instalada neste período de desaquecimento da economia global, com tendência de direcionar sua produção para as vendas externas.

Segundo o diretor-geral da Alacero, Rafael Rubio, o problema reside no fato de que a indústria chinesa opera com subsídios e é suspeita de praticar concorrência desleal, com oferta de produtos a preços distorcidos. "A América Latina importou 9,4 milhões de toneladas de aço da China. Isso gerou 37 investigações de dumping, sendo 12 já em processo", observou Rubio.

É necessário nivelar o campo competitivo com a China, disse. Os governos devem ser reativos e buscar a aplicação das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). "É um problema mundial e requer uma solução mundial", defendeu.

O novo presidente do Conselho Diretor do Aço Brasil, Alexandre de Campos Lyra, explicou que, quando é aberto um processo antidumping contra fabricantes chineses, são usados como referência os preços de mercados abertos, como Estados Unidos e Europa. Isso acontece porque a China ainda possui na OMC o status, até dezembro de 2016, de economia em transição e não de economia de mercado.

"Pelas regras do comércio internacional, em uma economia em transição, pode-se usar um outro mercado como referência para cálculo da suspeita de dumping. A partir de dezembro, se a China for reconhecida plenamente como economia de mercado, para se abrir um processo de dumping, será preciso comprovar que eles estão exportando, por exemplo, a preços abaixo dos preços no mercado interno chinês, que é totalmente distorcido", afirmou Lyra. "A concorrência da China no seu mercado interno é muito maior do que nas exportações devido ao excesso de capacidade instalada. Nas exportações, eles são imbatíveis, não só em comparação com a indústria siderúrgica brasileira, mas em relação à mundial", complementou.

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