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Bancos médios representam maior risco sistêmico, diz estudo publicado pelo BC

16:40 | 08/04/2016
Bancos de médio porte são a principal fonte de contribuição para a expectativa de risco sistêmico no mercado interbancário brasileiro, e não os bancos de grande porte. A análise consta do working paper 426, publicado nesta sexta-feira, 8, no site do Banco Central, em meio à verificação de que há um aumento da inadimplência no setor, que já começa a afetar a rentabilidade das instituições financeiras. Em meados do ano passado, os bancos de médio porte também foram alvos de rumores de que estariam enfrentando problemas de liquidez.

O BC, como de praxe, reforça que a visão expressa no trabalho é de seus autores, e não necessariamente reflete a da autarquia. O ensaio "Evaluating Systemic Risk using Bank Default Probabilities in Financial Networks" foi elaborado por três pesquisadores do BC (Sergio Rubens Stancato de Souza, Thiago Christiano Silva e Solange Maria Guerra), além de Benjamin Miranda Tabak, egresso do BC e que hoje tem ligação com a Universidade Católica de Brasília.

De acordo com o estudo, o estresse sistêmico esperado para ocorrer entre grandes bancos é em grande parte reduzida em virtude de sua baixa probabilidade de default. Já em relação aos de médio porte, há uma expectativa maior porque há uma probabilidade não desprezível de calote e também porque eles provocariam um estresse adicional moderado no sistema financeiro.

O estudo também se propôs a desenvolver variações para os testes de estresse usados pelo BC que, de acordo com os autores, são viáveis e relevantes. Isso daria mais embasamento para a área de supervisão da instituição. O método tem como base identificar comunidades bancárias formadas por pares que possuam probabilidades similares de default e que possam produzir grandes perdas potenciais. "Aplicamos essa metodologia no mercado interbancário brasileiro e descobrimos que as comunidades são compostas por bancos que não são grandes", enfatizaram os autores.

A partir daí, os pesquisadores selecionaram como um cenário de teste de estresse o default de todos os membros de uma mesma comunidade. "Descobrimos que essas comunidades bancárias podem provocar um grande estresse adicional no sistema financeiro", escreveram. O procedimento abordado no working paper sugere que, apesar de questões sobre tamanho e interconectividade serem importantes, é crucial detectar o surgimento dessas comunidades bancárias. Isso porque, explicam os autores, elas também podem ser um gatilho para o risco sistêmico, já que o contágio pode ocorrer tanto por exposição direta entre os bancos quanto por choques iniciais.

Na quinta-feira, 7 o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do Banco Central trouxe, no entanto, uma outra abordagem sobre o papel de bancos maiores e menores no Brasil. De acordo com o documento, desde o segundo semestre de 2014, as instituições financeiras de maior porte se tornaram mais importantes como promotores dos fluxos de liquidez do sistema. Os bancos menores, por sua vez, têm um papel muito reduzido nesse fluxo.

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