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Alta do iene pode prejudicar esforços para elevar inflação no Japão, diz Kuroda

14:30 | 18/04/2016
O presidente do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês), Haruhiko Kuroda, afirmou que a valorização do iene nos últimos meses pode minar os esforços da instituição para elevar a inflação para a taxa de 2%, o que poderia levar a medidas adicionais de relaxamento.

Em entrevista ao Wall Street Journal, Kuroda mostrou sua preocupação com o iene mais forte, após a moeda se apreciar 11% ante o dólar neste ano e também ante outras moedas, entre elas o euro. A tendência prejudica os exportadores japoneses e coloca pressão de baixa sobre os preços de importados, o que segura a inflação.

Kuroda falou após participar nos últimos dias da reunião semestral do Fundo Monetário Internacional (FMI). "Se a apreciação excessiva continuar, isso poderia afetar não apenas a inflação real, mas mesmo a tendência na inflação, por meio do impacto na confiança das empresas, na atividade das empresas e ainda por meio das expectativas de inflação", afirmou. Segundo ele, o BoJ não hesitará em agir de novo para impulsionar a inflação, se preciso.

"Como eu sempre tenho enfatizado, se necessário para atingir a meta de inflação de 2% no período mais breve possível nós não hesitaremos em tomar medidas adicionais de relaxamento", afirmou. A próxima reunião do BoJ ocorre nos dias 27 e 28 de abril. Kuroda já abriu as portas para a chance de mais medidas de relaxamento, mas não deu um sinal claro de que alguma ação será tomada agora.

Kuroda disse que pode haver mais medidas, mas enfatizou que não deve ser lançada mão do chamado "helicóptero de dinheiro". O termo se refere a uma estratégia segundo a qual o banco central imprime dinheiro (por exemplo, ao comprar bônus do governo) para financiar diretamente a expansão dos gastos do governo ou cortes de impostos. "Nós não temos a intenção de usar helicóptero de dinheiro, nada disso", argumentou ele, porque isso iria macular a divisão de responsabilidades entre o Parlamento, responsável pela política fiscal, e o banco central, que estabelece a política monetária.

O presidente do BoJ disse que há espaço "técnica e teoricamente" para levar as taxas de juros mais para o território negativo, até pelo menos -0,4%, como o Banco Central Europeu (BCE) fez. "Mas isso não significa que nós vamos fazer isso ou deveríamos", destacou. Fonte: Dow Jones Newswires.

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