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Taxa Tobin não conteria saída de capitais e pode espantar investimentos na China

11:40 | 15/03/2016
A introdução de uma "Taxa Tobin" sobre a conversão de moedas no mercado spot pode reduzir a especulação, mas seria de pouco ajuda para conter a saída de capitais, afirma Zhou Hao, do Commerzbank. Para o economista, a demanda por moeda estrangeira na China é motivada por objetivos genuínos, como a necessidade de se pagar dívidas no exterior, a expansão das empresas chinesas fora do país e a diversificação de ativos por parte da classe afluente do país. Essa demanda continuaria forte mesmo "que essa taxa elevasse o custo das transações de câmbio", disse Zhou.

As especulações sobre uma adoção do tributo aumentaram desde que a imprensa chinesa passou a relatar que formuladores de política do país estariam rascunhando um projeto nesse sentido. A implementação da Taxa Tobin, no entanto, vai contra os esforços de Pequim para tornar o yuan mais acessível e líquido. "Embora possa deter a atividade especulativa, a taxa pode também afugentar fluxos de investimento de longo prazo", afirmam analistas do banco BBH.

A ideia de taxar as transações financeiras internacionais - proposta em 1972 pelo Nobel de Economia James Tobin como forma de desestimular a especulação - vem rondando o mundo "há décadas, mas nunca foi implementada por causa do seu potencial disruptivo sobre os mercados", acrescentou o banco norte-americano.

Apesar dos relatos da mídia chinesa, parte dos investidores se mostrou cética quanto a sua adoção. "Isso é uma notícia velha que também circulou há um tempo atrás, quando a moeda chinesa estava sob maior pressão", escreveram analistas do Commonwealth Bank of Austrália, acrescentando, no entanto, que a disseminação do boato pode ser um sinal a especuladores de que as autoridades pretendem aumentar o cerco. (Marcelo Osakabe, com informações da Dow Jones Newswires - marcelo.osakabe@estadao.com)

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